segunda-feira, setembro 17, 2012

Ilha Grande – (Tema de desterro )







Ilha Grande – (Tema de desterro )







Ilha Grande, terra má, inamistosa,
és a origem de meu canto em desencanto,
és o futuro de um passado que foi meu.

Como és ingrata ao destruíres assim
a rosa-dos-ventos-sonhos
que em mim viveram um dia,
deixando apenas os espinhos da tristeza
sufocarem meu viver com nostalgia.

Ilha maldita, multicor, fantasiosa,
toda formosa, és feminina, és mulher!

Vestes-te em rendas,
Flamboyants, jasmins e rosas,
Charme selvagem!
...só destróis quem não te quer.


Ilha Grande – IPCM – um dia qualquer de 1974.


(por PRAD*)

*Paulo da Vida Athos (pseudônimo)

Heil Joaquim! STF, Tribunal de exceção




Infelizmente há raias de tribunal de exceção, e influência de  Günther Jakobs, em várias das decisões e teses defendidas por ministros da suprema corte brasileira que, em princípio, deveria salvaguardar a Carta da República, principalmente nas regras constitucionais e infraconstitucionais concernentes aos direitos difusos, coletivos e individuais, garantidores que são do que se considera “estado de direito democrático”.

O que vi, em muitas das decisões nessa ação político-penal, foi um arremedo de aplicação do direito.  Essa decomposição das teses até então aplicadas no STF, redundantemente começou no começo ao não desmembrarem o procedimento contra os réus que, absolutamente, não tinham,  nem reflexamente, foro privilegiado.

Entre várias heresias tão a gosto de tribunais de exceção, a mais grave foi aquela de que o MP não precisa mais provar o que alega contra o réu.  Percebem onde isso pode dar?

A população aplaude  Joaquim Barbosa e seus seguidores e crucificam quem queira atuar como um magistrado de corte constitucional deve fazer: garantindo o direito contra todos e contra tudo que desafie o devido processo legal.

Pois muito bem, senhoras e senhores, e amanhã? Imaginem as teses adotadas por esse Tribunal associadas ao projeto do novo Código Penal que querem aprovar.

Quais os efeitos que esse teratológico julgamento da Ação Penal 470 terá sobre as decisões jurídicas e sobre os jurisdicionados, da capital da República aos confins das mais distantes Comarcas, nesse país tão continental e tão desigual em que vivemos, se, historicamente, quando se abre no judiciário as portas para a Política fecha-se para a Justiça?

quinta-feira, setembro 06, 2012

Rede Globo, ontem e hoje, sempre golpista







A Rede Globo sempre foi o antro com o maior número de canalhas por metro quadrado.

Cresceu e se solidificou durante o período do golpe militar de 64, apoiando, através da distorção ou omissão de fatos, a tortura, os assassinatos, os banimentos, os ataques contra a cidadania, contra a soberania e contra o povo brasileiro.  De lá para cá, apenas uma coisa mudou: temos democracia. 


Porém, aquele antro de canalhas continua boicotando o povo, usando as mesmas táticas.  Quem esqueceu os esforços daquela quadrilha para impedir a eleição e a reeleição de Lula e, posteriormente, a eleição de Dilma?  Pois bem, faço aqui um alerta.  As eleições estão bem ali na esquina, tão pertinho que já até já podemos vê-la.   A Rede Globo, membro honorário da mídia golpista, fará tudo para impedir que as esquerdas consigam mais prefeituras e, por conta disso, mais possibilidades de fazer um Brasil mais justo e melhor.


Fiquemos de olho!  Não nos esqueçamos de que a Direita contém o discurso do Capital e que o Capital vive do sangue, do suor e das lágrimas do povo brasileiro.


Atentos à mídia golpista!

quinta-feira, agosto 16, 2012

Sem duelos no STF...




 Tudo ao vivo e a cores direto da Suprema Corte, ontem, durante a apreciação das liminares na Ação Penal 470, também conhecida por “mensalão”,  em curso no STF, lá pelas tantas,  em tema em que o Ministro Joaquim Barbosa se sentira atingido por ter sido rotulado como parcial nas alegações finais de um dos réus, aquele ministro afirmou que “havia má-fé” do causídico e um conluio que envolvia outras partes e até a defensoria pública da união, e que essa ameaça feita por uma “guilda profissional” se estendia ao Tribunal.  

O Ministro Marco Aurélio disse que ele não se sentira atacado pelas ofensas, ao que, de imediato, o ministro relator afirmou que “Vossa Excelência talvez faça parte...”.  Essa adjetivação, abafada pelo clamor de várias vozes sobrepostas, parece não ter sido ouvida pelo Ministro Marco Aurélio (que não é de deixar barato provocações), o que certamente levaria a nova proposta de “duelo” entre os dois, como já ocorreu no passado. 

Mas daqui, curioso como eu só, e sem pudor de revelar minha ignorância, como não conhecia a pérola fui procurar saber o que era “guilda”.  O Aurélio Online revelou: “GUILDA:     1. Na Idade Média, organização de mercadores, de operários ou artistas ligados entre si por um juramento de entreajuda e de defesa mútua (séculos XI-XIX).      2. Associação privada, de interesse cultural.”

Está aí!  Momentos culturais da Suprema Corte...

domingo, junho 17, 2012

Poeta-deus...




Ontem meus sonhos peregrinos
circulavam em montanhas desconhecidas
de distantes galáxias.

Felicidade era, antes,
o resumo do sonhar, que do sentir,
e eu sentia apenas os efeitos
da própria sensibilidade criadora
que existe na alma do poeta.

Musa, não havia.

Auto inspiradora e egoísta,
a poesia nascia de si para si,
tal como um deus egoísta
que nada mais desejasse
que seu próprio existir.

Andei assim,
durante muitos séculos.

Em almas hospitaleiras,
ou hostis,
deixei um pouco de meu ser
e conduzi comigo,
também,
o lastro de cada uma delas.

Fui nuvem e carvalho,
fui rio indômito e impetuoso,
fui rochedo agreste e inacessível.

Escrevi meu nome
em muitos céus,
em troncos de árvores
e em alguns corações.
Hoje,
ainda vejo algumas letras
informes
nas nuvens que passam,
em seres que passam,
no tempo que sobra.

Vejo alguns troncos marcados.

Mas os rostos e os corações,
não mais existem.

Foram como o perfume que se perde na brisa.

Deslocaram-se por outras estradas
de outros mundos
por onde não mais desejo passar!

Permiti que levassem os sonhos,
para poder cirandar com as palavras.

Egoístas decisões de deus poeta...


Maio/1998

Comissão da Verdade. O "outro lado" a ser investigado...


















O "outro lado" a ser investigado...



E tem gente que ainda fala que a Comissão da Verdade deveria investigar "dois lados".  

Mas que "outro lado" seria esse? 

Quem resistiu e foi preso, foi torturado ou  morto; ou ambos.  Quem não foi preso, é porque foi exilado ou se auto exilou do Brasil e da vida.  

AH!, talvez esse “outro lado” seja os donos da mídia e os empresários que apoiaram o golpe e o regime militar.  

Tá aí; concordo! Existe um “outro lado” a ser investigado...


terça-feira, junho 12, 2012

Cópula contra os Povos


Enquanto isso, na grande oca branca da Rio+20, governantes e/ou seus representantes organizam-se para a cópula contra os povos...

Prece profana

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Prece profana







Mari que é Luce,
e é cheia de graça,
o amor é convosco!

Bendito são seus olhos,
entre todos do mundo,
e bendita é a paz,
que do nosso amor me vem,
em luz!

Santa ternura
dos sonhos meus,
apagai em mim meus temores,
agora
e na hora de nosso amor,
também...


Paulo da Vida Athos

terça-feira, maio 29, 2012

Palavras...

















Palavras...




Um dia nossos passos
não ecoarão mais nas calçadas, 
nem nossa voz será soprada
pelo vento sul.

Mas algumas das palavras nossas
viverão ainda,
em outras vozes,
em outros corações,
em outras dores e amores,
em outros encantamentos,
a tentar vencer o tempo...

segunda-feira, maio 28, 2012

Em ti...









Em ti...







Neste teu corpo,
meu porto, e abrigo
em que amarro os laços
de minha vida sem rumo;

Neste teu corpo,
regato e remanso,
que em toques mansos
eu tomo e me entrego;

Neste teu corpo,
universo e mistérios
que redescubro
ao sabor dos desejos;

Neste teu corpo,
que é luz de meus passos,
que num abraço de amor
me ilumina;

Neste teu corpo
onde correm meus lábios,
descobrindo
vales e rios de sonhos;

Neste teu corpo,
Ah!
Quão louco me sinto
quando o pressinto
assim ao meu lado;

Neste teu corpo,
menina-mulher,
de doidos carinhos,
de mil  sensações;

Neste teu corpo,
mulher, tão menina,
que me alucina
em mil contrações;

Neste teu corpo
que é céu de meu vôo,
é onde encontro
razão de existir...

(Paulo da Vida Athos)

domingo, abril 29, 2012

De cantos, gaiolas e amor










Não quero para mim o canto
de ave que vive em gaiola,
que da vida vive d’esmola,
órfã de toda esperança.

Não quero possuir esse canto,
despossuído de rima,
de aves aprisionadas
que dependem de dono,
pra trocar a água e a comida
e o papel sujo do chão.

Quero o canto da ave livre
nas matas,
nos céus das cidades,
no chão das ruas de pedras,
que ciscam nas calçadas dos bares,
nas varandas dos palácios,
como quem canta um canto intangível
que atravessa espaços e gentes,
como um hino à liberdade!

Quero esse canto que tenho
ouvido e cantado junto
com a vida, em minha vida,
que de amor é conjunto.

Prefiro o trinado dos pardais
que cruzam o espaço dos céus,
que alçam seu voo mirando o horizonte,
que fazem seus ninhos nas árvores,
nas eiras e beiras do cais,
àquele gorjeio tristonho
do canário belga, ou da terra,
que jamais conheceram a serra,
nem o canto do Uirapuru.

Quem tem tudo em hora certa,
mas trina de sua gaiola,
quase sempre pendurada
na parede de um corredor
ou na marquise de um bar,
para agradar o seu dono
cantando um canto de dor,
de despedida de sonho,

Que canta um canto de morte
de quem nunca teve vida,
jamais conheceu o amor
e foi impedido de amar,
nesse canto que atravessa,
que mais do que canto é  pranto,
que é hino ao desencanto
de quem nunca pode amar,
e que assim que sai da gaiola
logo morre no ar,
nem deveria nascer,
nem deveria cantar!

Um canto assim desatino,
gravado, chorado,
menino,
de sal e de só solidão,
esse não quero pra mim,
pois amor não é prisão.

Não quero ser aquele
que carrega a gaiola
para a exibir seu troféu,
que canta pra deleite,
não da Vida, nem do céu,
mas pro ego de seu dono,
e pra gente que tem dono,
menino,
jamais retiro o chapéu.

Muito menos quero ser
a ave que perdeu
ou nunca teve liberdade,
expondo seu desencanto
em canto de dor e de morte,
de um ser sem vida e sem sorte,
como uma ferida sem corte,
despossuído de si,
do sonho ou da esperança,
que canta a sua não-vida,
e sim esse choro mais forte,
sem memória e sem lembrança.

Não quero o amor sincopado,
como amor exibição,
que mais parece o cantar
de uma ave na prisão!

Prefiro esse amor alado
onde nosso canto se encontra,
e juntos ecoam em trovas,
que apenas nós dois escutamos,
onde apenas nós dois flutuamos,
num bailar de sonho e luz.

Menino, preste atenção,
gaiola é fonte de dor.

Ser livre é a vida do pássaro,
liberdade é a vida do amor.

quinta-feira, abril 26, 2012

São Oxossi

São Oxossi


Oração para Oxossi


Oxossi, meu Pai,
que é todo proteção e bondade,
que como todo pai zeloso e atento ilumina com seu olhar
o chão e os caminhos por onde andam seus filhos,
como sempre, e mais uma vez, me coloco em seus braços,
em seu colo protetor,
sob a influência e a paz de seu amor infinito,
nessa longa caminhada que se chama vida.

Desde o primeiro raio do sol
que deu boas vindas ao meu rosto nessa vida, até o dia de hoje,
não houve um só sem que eu sentisse a presença sua.

Atravessei selvas e mares,
caminhei desertos e bailei trovoadas,
e quando o fogo das profundezas parecia que secaria minha garganta,
bebi cachoeiras que você me ofereceu.

Nunca estive sozinho.

Em todas as barreiras que venci,
estava em se colo.
Em todas as provas que vivi,
tive você ao meu lado,
à minha frente,
às minhas costas,
sobre minha cabeça,
me guiando em cada passo,
em cada gesto,
ditando cada palavra que proferi.

Agradeço tudo que vivi,
agradeço por toda proteção,
por todo esse amor infinito que me tem.

Pai,
com a certeza de que só estou vivo em razão do amor que sente por mim,
agradeçocom meu amor,
com meu reconhecimento,
com minha fé.

Odé koke maió, Oxossi Oke Arô! Daka ka maci, adje b'erum!

David de Oxossi (David de Oxossi)








terça-feira, abril 24, 2012

Justiça criminal acéfala.



Quando se percebe que, por exemplo, a prestação jurisdicional criminal travestiu-se em extensão da política de segurança pública e o Juiz, despudoradamente, pendura a toga para enfileirar-se com o ministério público e órgãos da segurança pública (como se dela fizesse parte, ativamente participando das “operações furacões e vendavais”, na maioria das vezes atropelando princípios constitucionais e infraconstitucionais de garantia individual e coletiva), vendo o réu não como um jurisdicionado, não um cidadão a ser julgado, mas um inimigo que vai ser “julcondenado”, em nocivo atentado ao devido processo legal e ao estado democrático de direito pretendido, em aberrante aplicação sinuosa de princípios oriundos do Direito Penal do Inimigo (até aqui é assim que são tratados pelo poder público, em suas três esferas, os indivíduos de nossos guetos chamados favelas, ou, usando um termo politicamente correto, “periferias”), a gente acaba concluindo que, fora do plano ideal, histórica e estruturalmente, Democracia e Capitalismo no Brasil são e serão sempre excludentes.

quinta-feira, abril 05, 2012

Saudade









É, meu irmão...

saudade é a presença da ausência, daquela ausência imensa que invade nossa vida, nosso espaço e nossa alma. 

Ela é fruto de momentos vividos, de pessoas amadas, que ficam vívidos em mossas lembranças, em nossa memória, recontando uma história a pedido de nosso amor e de nosso desejo de visitar o ontem... ou trazê-lo de volta. 

Nem sempre isso é possível. Pelo menos, não imediatamente. 

Então nos sobra a saudade e as lembranças para cirandarem com o nosso amor no amplo salão da memória. 

Pelo menos, ainda temos isso. 

Um abraço, meu irmão. 

Força e muita paz em seu coração.

quarta-feira, abril 04, 2012

- "Como faz barulho o silêncio da omissão!"





Depois do Ato contra a comemoração ao golpe de 64, olhei pelo retrovisor o passado e, ainda pensativo, dei uma espiada no presente que, segundos após, se tornaria passado.

E pensei com meus botões: - "Como faz barulho o silêncio da omissão!"

segunda-feira, abril 02, 2012

País que tem advogados como o presidente da OAB-Federal, nem precisa de Ministério Público.





País que tem advogados como o presidente da OAB-Federal, nem precisa de Ministério Público.





Não gosto do político nem da pessoa chamada Demóstenes Torres.  Mas não posso pactuar com as palavras do presidente da OAB,  Ophir Cavalcante, quando ele afirma que arenúncia é a “única saída” para o senador, já que, segundo sua avaliação ele “perdeu a condição de falar em nome de seus eleitores, do povo de Goiás.”

Isso, partindo do presidente nacional da Ordem dos advogados do Brasil é minimamente estranho e tem contornos fascistas.  Quem tem um advogado desses, nem precisa a participação do Ministério Público: o sujeito está condenado.

Onde está a ampla defesa, dr. Ophir?

Ao atropelar a necessidade do devido processo legal, e, pela mesma via, o princípio da inocência presumida, jogou na lixeira o que todo advogado tem o dever de defender: ninguém poderá ser considerado culpado sem que se esgotem todos os recursos, sem o trânsito em julgado da sentença penal.  Esse é um princípio basilar para um Estado Democrático de Direito.

Não quero minha pátria com uma justiça fascista!

Creio que, partindo do princípio norteador da justiça para sua excelência, ele também deveria renunciar à presidência da Ordem dos Advogados do Brasil.

Talvez sua excelência devesse se desculpar.  E, juntamente com Demóstenes, sair da cena pública.



Oração a Xangô

Kaô Kabecilê, Xangô! Que a justiça seja acompanhada pela sabedoria. Que a verdade seja acompanhada pela misericórdia. Que a força seja acomp...