segunda-feira, março 08, 2010

A Vida é uma Mulher




A Vida é uma Mulher


Caminhei pela terra, não com passos qualquer, nem com medidas ou bússolas, caminhei vivendo os passos dados, certos ou errados, mas nunca despretensiosos. A maioria bate no peito e clama bem alto: -“Não vim aqui a viagem!”; pois eu vim. E viria outras vezes, se tal fosse possível.

Veria mais cachoeiras e mares, contemplaria mais desfiladeiros, mergulharia em águas de tantos rios que não conheci, subiria mais montanhas me apresentando a flores que meu olhar nunca olharam ou perceberam.

Veria tudo igual, mais muito, muito mais intensamente e dormiria menos, para ter mais horas cobertas de descobertas, de cheiros e de perfumes, de cores e luzes, e das curvas sempre femininas que se desenham nas serras.

Curiosamente o belo é, em sua maioria, do gênero feminino; e quando não é se desdobra a quase não ser para se tornar o que não era para poder se dar.

É o caso dos oceanos, que depois são mares, ambos por todos (apenas) navegáveis, até se tornarem praia e, só aí, têm a plenitude da entrega, do dar e do receber, nesse encontro com a Terra e a Humanidade.

O feminino está no começo e no vim de tudo, e no interstício também: a Mulher, a Vida, a Morte. Três femininos.

As sensações e sentimentos mais intensos e profundos que nos habitam ou nos visitam ao longo dessa viagem, em sua maioria são femininos. Muitos discordam impondo o Amor. Esses, nunca se apaixonaram. A paixão é o amor indômito, que não se rende, que se consome em sua própria intensidade vez que nada mais teria esse poder. Li um dia, em algum lugar, que “a paixão é o amor em chamas”, e concordo.

Nada é mais presente em minha vida que a Mulher. Nasci de uma, que me abrigou em seu ventre por meses. Hoje, analisando, tirando a mulher que me colocou no mundo, sete outras mulheres foram e são de importância vital em minha vida. Bem cabalístico o número, afinal, a mulher é uma mandala. Sem qualquer uma delas, ou eu não estaria aqui, ou não teria graça estar aqui. Muito menos, sentido.

Ao meu lado ou na distância, sei que me amam e sabem que vivem em meu amor (ainda que as vezes misturado com a saudade).

Tudo que existe em mim de bom e belo, todas as minhas recordações mais bonitas, todas as lembranças assim como toda a esperança com que sempre olho para o amanhã, aprendi um pouco com cada uma delas.

Por tudo isso as amo. As amarei, sempre!

Hoje é 8 de março de 2010, Dia da Mulher.

Para mim, são todos os dias de minha vida.

Paulo da Vida Athos.

segunda-feira, janeiro 04, 2010




Rio, mais um saldo de guerra em 2009.


Tirando as a UPP, Unidade de Polícia Pacificadora que já está sendo implementada em algumas favelas do Rio, e, queira Deus e os políticos não atrapalhem que se estenda para todas as comunidades carentes do Estado, não temos muito a comemorar.

O senhor governador veio a público, no segundo dia de 2010, para alardear que o número de homicídios no Estado do Rio caiu 14,4% de setembro a novembro, em relação ao ano passado, reduzindo a taxa para 36 mortes por cem mil habitantes, a menor dos últimos 30 anos.

Mas são números de guerra.

Ao longo de 2008 foram registrados 5.701 homicídios, 1.134 autos de resistência (são os cadáveres de pessoas que constam como bandidos que reagiram a voz de prisão), e 5.073 pessoas desaparecidas.

Em 2009, de janeiro a novembro, sem contar com os números de dezembro que ainda serão disponibilizados no Instituto de Segurança Pública, foram registrados 5.318 homicídios, 898 autos de resistência, e 4.424 pessoas desaparecidas.

Ou seja, sem computar os “desaparecidos” e os policiais mortos em serviço (22 militares e 7 civis), o saldo macabro é de 6.216 cadáveres.

Não há que se orgulhar um Estado que foi o agente direto de 898 dessas mortes e, indireto, de todas as outras 5.318. Isso só demonstra ausência de política de segurança pública e a ineficácia das políticas de enfrentamento que estão sendo adotadas.

O número oficial de mortos em alegados confrontos com policiais nos últimos 11 anos, em julho de 2009 passava de 10 mil no Estado do Rio de Janeiro. Isso ocorreu pouco mais de 11 anos após a criação dos míticos "autos de resistência" nas estatísticas divulgadas pela Secretaria de Segurança. De janeiro de 1998 a setembro deste ano, último dado disponível, policiais civis e militares mataram 10.216 pessoas no Estado.

Essa política mortal nada mais faz que aumentar o número de cadáveres que estamos produzindo. Sua excelência já foi chamado de “campeão de autos de resistência” e não vejo qualquer mérito nem para sua carreira, nem para a sociedade, ostentar tal título.

Como fruto dessa política mortal, o Brasil ocupa, hoje, o 6º lugar no ranking de países com as maiores taxas de homicídios no mundo. E para maior vergonha, são nossos jovens entre 15 a 24 anos que compõem de 51% das vítimas, segundo dados fornecidos pelo Instituto Latino-Americano das Nações Unidas – INALUD.


Observemos que nesses números não estão computados os cerca nem os 5.701 “desaparecidos” em 2008, nem os 5.318 que “desapareceram” entre janeiro e novembro de 2009.


A bela Baia da Guanabara guarda bom número desses “desaparecimentos”. Toda a cúpula da Segurança Pública do Estado sabe o que, por exemplo, acontece na Ilha do Governador, com os desafetos do “dono” do Complexo do Dendê e da Ilha como um todo, Fernandinho Guarabu.


Guarabu esquarteja seus desafetos e joga para alimentar os peixes.


Mas no Rio tem também favelas que usam “micro-ondas” para desaparecerem com as vítimas do tráfico, como aconteceu com Tim Lopes. Mas esses “desaparecidos” não entram na estatística das mortes, pois podem “aparecer”.


Por seu “feito” Guarabu deu entrevista até para revista norte-americana.


O cidadão fluminense vive a loucura de estar com um pé no Brasil dos anos de chumbo e outro na Palestina.


Sabe que pode desaparecer ou morrer num piscar de olhos...


Enquanto as autoridades celebram o fato de que até novembro de 2009 tivemos, “apenas”, 6.216 cadáveres.



Paulo da Vida Athos

domingo, janeiro 03, 2010

Ser bobo






Minha amiga*, como me ofender?
Qualquer um fica todo bobo quando recebe um elogio, mas ninguém fica mais bobo que o bobo. Principalmente se o elogio parte da nobreza. Seu nome remete duplamente à realeza: a sueca e a latina.
O bobo nem carece de um elogio grande, bonitão como esse que recebi de Clarisse através de você. Basta um elogiozinho de nada, despretensioso, desses que, de tão pequeninos, parecem até uma esmola ou o descarte de uma camiseta velha, toda poida, depois da última trilha.
O bobo não briga com as horas, ama os pingos de todas as chuvas, mesmo as que formam grandes enchentes, e não se aborrece nas grande manhãs de sol. Ao contrário, ciranda com suas lágrimas que cirandam com os pingos das chuvas e se encanta com o som das manhãs que o inundam de luz e calor, de brisa e canto de aves.
O bobo consegue ouvir, mesmo o mais cosmopolita, o pio de algum passarinho, o canto de um coleiro ao longe, e, fica mais bobo que nunca, ao perceber que sua cozinha foi invadida por um bando de pardais.
O bobo se contenta com coisas poucas: tardes de abril, som de folhas secas empurradas pelas calçadas, um carinho, um olhar, seu próprio aparente abandono, e a música dolente que as pedras cantam com o mar.
Se encontrar um bobo: sorria! Olhe em volta e se belisque torcendo para não acordar e, principalmente, não o acordar. Não espalhe, mas o bobo em geral tem por amor a Poesia, e isso pode ser constatado em seu olhar aparentemente perdido. Tem a Liberdade como amante e o sonho como guia. Com essa mistura de alma, pensa como poeta e age como tal: feito bobo.
Poetas tem isso de bobo: crer nos sonhos, que farão o mundo melhor, que suas palavras falarão mais alto que os canhões, que a indiferença, e que conseguirão curar a surdez crônica da humanidade.
Clarisse não percebeu ao escrever "As vantagens de ser um bobo" – ou se percebeu deixou proposital e contraditoriamente irrevelado - que Dostoievski era um bobo, assim como Miguel Cervantes que nos legou o maior de todos os bobos.
O bobo tem essas ambições que Clarisse não quis revelar. Tudo “de caso pensado” e com a conivência do lado poeta que existia nela. Seu lado bobo...
Quando dá certo, o bobo sorri aquele sorriso bobo.
Quando não dá: é apunhalado como Julio Cesar, compra um ar condicionado imprestável, alguns até já morreram ou foram presos.
Mas sem jamais perder sua capacidade de amar, de sonhar, e seu sorriso bobo...
Beijos!

*Resposta a Silvia Regina de Abreu

quinta-feira, dezembro 31, 2009

Não tente mudar seu amor...


Minha amiga,

Que posso desejar na vida de uma mulher-menina, que não seja amor, muito amor?

Sim, é isso! Que sejam dias e meses de amor todo o novo tempo que breve será inaugurado em sua vida; que esse novo ano tenha um nome: amor.

E que você viva esse amor, de forma vívida e farta, e que dele não se farte nunca e que ele jamais lhe falte.

E, não tente mudar nada.

Ao tentarmos mudar o objeto de nosso amor, ele deixa de ser o que o nosso amor amou e então pode ser desamado, independente de nossa vontade.

Faça isso. A passagem do tempo não muda o amor.

Nós o fazemos.

E, nem sempre é o melhor...

Beijos!

quarta-feira, dezembro 30, 2009


“Viver não é preciso...”


Na verdade, a ausência é apenas de mim, não de meus sonhos ou de seus sonhos que são onipresentes em nós e tem a imortalidade que transcende o tempo que usamos da eternidade. Com um detalhe, quando realizados, os sonhos deixam de ser sonhos e tem sua morte decretada apenas por ela, pela realização, e passam a freqüentar a vida.

Ao passarem a esse estágio, não mais nos pertencem nem a eles pertencemos. Eles pertencem a todos que sonharam juntos sua realização. Nós passamos a abrigar novos sonhos que se aninham em nosso espírito e nos arregimentam para novas auroras que se desfraldam como bandeiras no amanhã.

Sim, minha amiga, temos os pés no presente mas nosso coração e nossa mente estão no futuro. Assim que o cansaço nos alcançar, passaremos o bastão que nos entregaram no ontem e eles continuarão, sempre num tempo futuro, a pavimentar uma estrada que conduz a um amanhã onde não haverá fome nem guerra, nem prisões nem desigualdades, em que o paraíso prometido será aqui mesmo, onde haverá harmonia entre a humanidade consigo mesma e a natureza: a comunhão entre o homem e o divino no homem, e assim vivermos o que bem traduziu suas palavras, não um pais, mas um mundo “mais fraterno, mais lúcido, mais solidário, mais consciente”.

Para tanto é necessário que continuemos “persistentes sonhadores” exercendo “o direito lícito e legal de acreditarmos que a harmonia seja possível”, como você disse.

E, como disse Pessoa: “- Viver não é preciso...”

Beijos.

Paulo da Vida Athos

terça-feira, dezembro 29, 2009




Unidade de Polícia Pacificadora, UPP, um facho de luz em 2009. A Vida e o Rio agradecem


Um facho de luz em 2009, para 2010... 11... 12... 13...


O ano de 2009 vai se esvaindo no céu do tempo, é seu ocaso. Não sinto muito orgulho da história que escrevemos nele. A humanidade tem muito pouco para sentir orgulho do legado que a 2009 emprestamos. Sim, nós o fizemos. Nós escrevemos a história que nele inserimos, na página de cada dia, compondo coletivamente os títulos e subtítulos, as semanas e os meses, de mais um tomo da história que nós, independente de credo e de raça, quer por ação, quer por omissão, escrevemos juntos.

Fica muito fácil culpar o ano que finda, que não pode se defender, por todas as culpas do homem. Mas o ano nada faz que obedecer a marcha do tempo, com todas as suas estações, desde o tempo em que não nos preocupávamos com a camada de ozônio e Copenhagen era, na minha infância, sinônimo do melhor chocolate que existia. Essa marcha é marcada ora pelo homem através de sua atuação no mundo exterior, no ambiente em que vive, alterando-o ora para melhor ora para pior; ou pela própria natureza ora em seu curso normal, ora rebelando-se contra a ação do homem. O resutado dessa atuação humana que repercute na vida do planeta e de cada um de nós, chama-se fato.

Para muitos o fato mais marcante de 2009 foi a morte de Michael Jackson. Foi realmente marcante. Ele era especial. Com sua música e sua dança fez do mundo um grande palco e, da vida, um show que durou toda sua existência, entre sombras e luzes, fumaça de gelo-seco e megawatts, entre drogas e sonhos, até que de um desses últimos não conseguiu despertar.

Muitos outros fatos dividem a opinião de todos: a nova gripe H1N1, as enchentes no Brasil, a tragédia com o 447 da Air France, o indizível Prêmio Nobel da Paz para Barack Obama, o tsunami na Oceania, o Rio eleito sede das Olimpíadas 2016, a crise econômica mundial, o helicóptero da polícia abatido no Rio, a revelação de que a polícia do Rio de Janeiro é a que mais mata do mundo, ou que as balas perdidas são o pesadelo maior do carioca.

Esse negócio da bala perdida e realmente terrível. Pior: corriqueiro. Tanto que a rotina colocou seus registros quase que no roda-pé dos noticiários... e isso quando são mencionados. Lembro bem como começou a ceifar vidas em 2009. Muitos nem se lembram que foi justamente no Réveillon passado que Irani Pereira da Silva foi atingida na cabeça, dentro de casa, em Costa Barros, um subúrbio do Rio, perdendo a vida. Aliás, só na festa da virada na Praia de Copacabana foram registrados cinco feridos no início de 2009.

Quanto a violência policial, dados do ISP indicaram que nos últimos 10 anos foram mais de 10 mil mortes cometidas pela polícia, com um aumento nos últimos anos durante a chamada "política de enfrentamento" do atual governo estadual.

Comumente a parte mais influente da sociedade vocifera que não basta mais pena: "o negócio é a pena de morte!", brada ensandecida pela comoção de alguma violência fora do “normal”, como se houvesse menor ou maior repúdio ou hediondez de um homicídio para outro. A dor e a lágrima de uma mãe que perde um filho, é igual, independente da arma que disparou a bala, independente da idade ou da posição social.

Recordo de um participante de reality show ter afirmado, tempos atrás, que as pessoas que estavam aqui fora não imaginavam “o quanto era difícil permanecer cinco semanas confinados naquele espaço”. Na mesma hora pensei no Presídio Central em Porto Alegre que tem capacidade para abrigar 1,7 mil presos e, atualmente, de acordo com dados da Secretaria estadual de Segurança Pública gaúcha, abriga cerca de 5 mil. Aliás, Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Sistema Carcerário o colocou como o pior presídio do Brasil. Nesse ranking figuram: em segundo lugar, a Colônia Agrícola de Campo Grande (MS); e em terceiro, o Distrito de Contagem (MG), a Delegacia de Valparaíso (GO), a 52ª Delegacia de Polícia em Nova Iguaçu (RJ) e a 53ª Delegacia de Polícia de Caxias (RJ).

Enquanto isso, políticos do senado tupiniquim querem mais pena para o crime organizado e crimes contra a honra (deles, por certo), como se não bastasse as que já temos. Nossos legisladores não tem a menor idéia de que pena não ressocializa, que o crime é subproduto da desigualdade social e que desigualdade social não se reduz com prisão. Na verdade, criminaliza a pobreza.

Ao longo de anos vimos denunciado essa prática de invasões e caveirões em nossos guetos e favelas, incentivadas pela histeria ou pelo silêncio cínico e conivente da classe média e alta da burguesia carioca. A morte de crianças e inocentes é mero efeito colateral. As mortes em confronto, na média de mil por ano, são necessárias.

Aliás, tudo muito de acordo com o mesmo cinismo contido na concessão do Prêmio Nobel da Paz para Barack Obama: “vamos fazer a paz através da guerra!” O mesmo que acender a luz para ver o escuro...

E assim, entre mortos e feridos mundo à fora, fruto da incapacidade crônica que os governantes têm para gerir seus países, estados ou municípios, independente do sistema político ou de força, das ditaduras ou democracias e de todos os “ismos” existentes entre ambas, a desigualdade social é cada vez maior no Brasil e no mundo.

A desigualdade social é, em última instância, o agente multiplicador de quase toda violência na terra. Excetuo aquela violência que nasce da intolerância religiosa que por aqui, ainda, não existe. Afinal, Deus é brasileiro...

Mas surge em 2009, um facho de luz...

Esse era o reclamo maior de minha alma peregrina: um facho de luz sobre a insanidade da política de segurança pública carioca. E ele se fez luz onde existia o caos. Falo da política de segurança chamada de UPP, ou Unidade de Polícia Pacificadora, implantada por sua excelência o governador do Estado do Rio de Janeiro, Sergio Cabral.

Touché, monsieur Cabral!

Quando, em 19 de dezembro de 2008 era inaugurada na Favela Santa Marta, zona sul do Rio, a primeira UPP, olhei com certa descrença. Vai durar pouco, pensei. Afinal, nada que prestava para as comunidades mais carentes tinha continuidade.

Hoje, um ano depois, lá, temos a realidade assombrosa de nem um homicídio registrado e não apenas: não houve nem um tiroteio. Mudou a vida de toda a comunidade e de todos os que vivem nela: para melhor, muito melhor! Não há mais traficantes armados, não há mais o dono do morro. As melhorias foram em todos os aspectos. Agora os serviços públicos, tais como temos no asfalto, estão presentes na comunidade. Mais até, inclusive com rede wi fi banda larga grátis para a comunidade.

Porém, o mais importante é que lá, agora, todos tem um lar, uma residência, um título de propriedade, um lugar que sabem que podem levar suas visitas e amigos, sem vergonha ou medo, e com uma das paisagens mais belas da cidade.

As UPPs já existem no Morro Santa Marta, em Botafogo, no Chapéu Mangueira/Babilônia, no Leme, na Zona Sul, na Favela do Batan, em Realengo e Cidade de Deus, em Jacarepaguá, na Zona Oeste. Essa semana mais duas, Tabajaras e Morro dos Cabritos (Copacabana e Botafogo), foram ocupadas sem um tiro!

Ou seja, sem a famosa prática antiga da invasão. E os policiais foram bem recebidos pela comunidade. Ou seja, não é uma promessa de campanha, não é um sonho.

Com isso sua excelência evitou, minimamente, nos últimos 12 meses, a morte de centenas de nossos jovens e muitos policiais. Só isso bastaria para que eu considerasse o melhor governo que o Rio de Janeiro já teve. É uma realidade tangível que está sendo executada de forma inteligente, como sempre preguei e desejei.

Pode melhorar? Sim, sempre pode. Mas, especificamente nessa área, basta usar menos os caveirões e as invasões, ou não usar, e, no lugar de ambos, usarmos a inteligência como meio de ocupação, como se fez na implantação das UPPs e Tabajaras foi o maior exemplo!

Sua excelência está no caminho certo: polícia se faz com inteligência, não com cadáveres.

A UPP foi o fato mais relevante para mim, junto com a eleição de Lula, depois da queda do regime militar.

Feliz 2010, senhor Governador!

O Rio e a Vida agradecem.

Paulo da Vida Athos.

Rio, 29 de dezembro de 2009.

terça-feira, novembro 10, 2009


CARTA A NICOLINO CUPELLO.



Lino, hoje é dia de manhã nublada.

Amanheceu assim o céu do Rio de Janeiro. Durante a noite choveu, espantando os dias azuis de calor que já estavam aborrecendo o verde e as flores.

Hoje não poderia ser diferente. É a primeira vez que, para espanto da Vida, você não está.

Nem os pardais que invadem minha cozinha e enchem o ar com sua alegria, tiveram vontade de fazer algazarra.

Há um ar de desencanto e de saudade em toda parte, eu sinto. Há qualquer coisa pungente que mexe com a gente, que desarmoniza as horas, que desenha uma lágrima em nós.

Sei que é justamente isso que você não gostaria. Mas fica difícil, meu irmão.

Difícil imaginar um mundo despido de sua alegria , de seu amor, de sua voz.

Você chegou a minha vida da mesma forma que na da maioria das pessoas que conheceu: pelos braços da Música. Ela veio junta e, como a Vida também me ama, mandou que você me trouxesse um grande amor. Meu grande amor.

Lembro bem a data, 29 de outubro de 1976. Havia muita música no ar naquele dia, era um festival de canções.

Com o grande amor que veio com você, tive mais dois grandes amores: Juliana e Pedro.

Os anos foram passando. Muitos foram nossos momentos juntos: e invariavelmente com a presença dela, da Música, que sempre foi o grande amor de sua vida e o presente sempre presente com que você nos brindava.

Pois é, meu irmão, é mesmo da porra falar de você usando o pretérito.

Mas é o trem da Vida que, um dia conversando, falei pra você que não parava nas estações. Não para mesmo. E fico muito puto em ocasiões como essa.

Não fui ao seu velório, não vou ver cremarem seu corpo, não vou a nenhuma dessas missas que reúnem pessoas de tempos em tempos, essas ocasiões em que o defunto está lá e a maioria dos presentes nem tão presentes assim...

Aprendi com o Zelão, companheiro de algumas passagens, que velório bom é de inimigo. De quem se ama, não se vai.

Poderia ir, ouvir conversa fiada, aquelas bobagens de sempre, expor minha lágrima, chorar publicamente minha saudade e a dor que todos os que te amam estão sentindo.

Mas isso é coisa de quem tem sangue italiano como você (que nem pode usar seu passaporte vinho que Juliana conseguiu ao correr atrás de sua cidadania). Pois é meu irmão, pior é que nem na Itália você pode ir, seu grande sonho.

Agora pode, tem passaporte de alma, concedido por Deus em seu desembarque de ontem.

Todos estão como você estaria nesse momento se perdesse um de nós: italianamente emocionados e incontidos. Todos choram em dor exposta. Todos te amam.

Também te amo. Te amo muito, e você sabe, sempre soube. Mas tenho sangue judeu.

Prefiro colocar seu disco e escutar você cantar para mim, só para mim, o Sole Mio, e permitir minha lembrança deixar minha alma encontrá-lo para mais uma canção...

Até , meu irmão.

Um beijo.

Paulo.

Rio de Janeiro, 9 de novembro de 2009.

Ps. Uma semana antes você pediu para gravar a música do Gonzaguinha, para você. Gravei.


quinta-feira, outubro 01, 2009

quinta-feira, setembro 24, 2009

O "SENHOR VOTO VENCIDO"


Ministro Marco Aurélio.


Esse é “o cara”. Esse é o Juiz. Com seis dele no STF evoluiríamos cem anos em um em Direitos Humanos. Palavras dele sobre uma adolescente que esteve foi presa no Pará em uma cela com mais de 20 homens. “Chega-se com facilidade à conclusão de que é o próprio Estado brasileiro que desonra a Constituição Federal”, disse. “Por quanto tempo ainda o Brasil ostentará, sem demonstrar preocupação ou vergonha, o título de líder em concentração de renda, mesmo que a ninguém mais escape a certeza de ser a pobreza tanto causa como conseqüência da violação de direitos humanos.”


Em novembro completará 31 anos honrando o judiciário nacional. Ministro Marco Aurélio Marco Aurélio Mendes de Farias Mello , o “Senhor Voto Vencido", o Juiz.

sábado, setembro 19, 2009

QUANDO FALA O CORAÇÃO...


"Existem certos momentos da vida nos quais não encontramos as palavras. É quando o coração fala por nós."

(Paulo da Vida Athos)

quinta-feira, setembro 10, 2009

domingo, agosto 23, 2009

PARTIDAS...


Partidas...



Minha amiga,

Ontem visitei sua página, ao perceber de luto sua vida. Não encontrei palavras e me confortei diante das dezenas de mensagens que enviaram para você e, nada deixei.

Apenas saí dela e fiz uma oração por aquela que se adiantou a mim, que se adiantou a nós, e que deixou em você essa saudade imensa, tão grande quanto a sabedoria com que também a contemplou durante o tempo em que estiveram juntas por aqui.

Agora me sinto mais seguro para dizer que somos águas de um mesmo rio, que corre em direção ao Mar.

E que somos as águas, o rio e o Mar.

Na Vida.

Em Deus.

Beijos.


Photo by Luce F. D

sábado, agosto 08, 2009


SÓ OS LOUCOS E OS INOCENTES NÃO TEMEM...



Realmente, tenho medo de ter medo.

E quando sinto medo, e muitas vezes sinto, procuro fazer com que minha coragem seja um milímetro maior...

Só os loucos e os inocentes não temem.


Paulo da Vida Athos.

terça-feira, maio 26, 2009


TORCIDA ORGANIZADA OU ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA?






Paulo da Vida Athos


“Cerca de 30 integrantes de uma facção organizada do Fluminense invadiram o treino da equipe na tarde desta terça-feira, nas Laranjeiras. A atividade mal havia começado quando os “torcedores” entraram no gramado e partiram para cima dos jogadores. Na confusão, Diguinho levou um soco no estômago.”


Com essa abertura, a maioria dos jornais online noticiaram a ação que envolveu “torcedores”, jogadores e funcionários do centenário clube carioca.


Os ditos “torcedores” se investiram da toga do arbítrio e resolveram julgar, condenar e executar a sentença contra os jogadores que, na visão deles, não serviam para o Fluminense, e resolveram partir em direção aos que lá estavam exercitando o mais nobre dos direitos, o seu ofício, e contra os mesmos perpetraram brutal e covarde agressão que apenas não chegou a vias de fato vez que o clube, prevenido em razão das notícias que vazaram das comunidades de relacionamento na internet reforçaram a segurança que, assim, conseguiu conter os ânimos da única forma que bandido entende: à bala.


Muitas lições podem ser tiradas desse lamentável episódio.


Primeiramente fica de forma solar exposta que de torcedores eles não têm nada, são criminosos e como tal devem ser tratados. Imaginem que vire moda e, amanhã, com o caos instalado, tais práticas sejam estendidas a outros ofícios como a política, a Justiça, religiosos, segurança pública, saúde e educação, onde a insatisfação popular as vezes ganham contornos dramáticos.


Estamos a um passo disso.


Outra chaga que fica exposta é a incapacidade crônica de nossas autoridades de se anteciparem a fatos e tragédias que ficam mais que anunciados à luz da lógica e da observação do que ocorre nos desvãos da sociedade.


É obvio que já de há muito as câmeras do Maracanã deveriam estar filmando as caras das figurinhas carimbadas das torcidas organizadas. Estão lá em quase todos os jogos e em todas as torcidas dos quatro grandes clubes do Rio. Sabidamente se vende de ingressos a entorpecentes no maior estádio do mundo, para nossa vergonha maior, e, com toda aquela tecnologia, não se faz um trabalho científico em cima dos caras, filmando em todos os jogos, quebrando o sigilo telefônico de suas sedes e sub-sedes e também de seus membros e daqueles que mais se telefonam.


Eles falam, e muito, por celulares, telefones e rádios, além dos telefones fixos, além dos programas MSN, Messenger, Hotmail, Yahoo e outros, e, certamente, vão dar mole nos papos (isso é coisa de quem se acha malandro e todos eles se acham), e, no final das contas, ficará provada a estabilidade e permanência que são os elementos constitutivos do crime de associação criminosa, art. 288 do Código Penal, que tem pena de até seis anos quando o bando é armado (e quanto a isso não há duvida, basta ver o número de baleados em brigas dessas verdadeiras associações para cometimento de crimes). E a prisão é em flagrante, mesmo com o sujeito dormindo, depois de reunida a prova técnica, vez que esse é um crime em Direito, classificado como permanente, da mesma forma que o sequestro.


Depois, condenados, eu quero ver como ficarão os fanfarrões que foram lá para juntar Diguinho na covardia.


Eles e aqueles que saem do Maracanã fazendo arrastões ou disparando em via pública, sem se importar se vão matar, se vão atingir seus inimigos ou um inocente qualquer que esteja passando no lugar errado e na hora errada nessa cidade de guerra sem fim.


Mas tem que ter um fim. Porém, para tal, tem que haver um início. As caras dos agressores de Diguinho está nos jornais e na internet. Esse é o ponto inicial. Identificar é fácil, são figurinhas já carimbadas e o GEPE ou a DRACO, ou ambos em trabalho conjunto, podem dar nomes aos bois. Aí quero ver aquele cara que disse a um diretor idiota do Fluminense, que ainda deu ouvidos àquele bando de criminosos,indagando se queriam falar com o Parreira (coitado do nosso técnico Carlos Alberto), que queria sim, que era para ter um papo de homem.


Para com isso...


Homem que só é macho com uma quadrilha em volta é tudo, menos homem. Aliás, tem muito homem assim servindo de tindá nas cadeias da vida...


O cara é apenas um covarde e como tal deve ser tratado, mas com o devido processo legal. E a cara dele e de outros mais estão em todas as fotos e filmagens que vi. Querendo, senhores: é só agir...


Acho que já passou da hora do Estado dar uma resposta efetiva àqueles que, sob o título de torcedor, associa-se em facção criminosa para se sentir mais corajoso para perpetrar suas covardias e seus crimes.


Basta!



Foto: G1

O Globo

segunda-feira, maio 18, 2009

A PONTE DO ARCO-ÍRIS


A Ponte do Arco-Íris


Bem do ladinho do céu tem um lugar chamado Ponte do Arco Íris.

Quando morre um animal que foi especial para alguém daqui, esse animal vai para Ponte do Arco Íris.


Lá existem riachos e colinas para que todos os nossos amigos possam correr e brincar juntos .
Tem muita comida, água e sol, e nossos amigos estão quentinhos e confortáveis. .

Todos os animais que estavam velhos e doentes voltaram a ter vigor e saúde; aqueles que estavam machucados ou aleijados estão inteiros e fortes novamente, exatamente como nas nossas lembranças dos tempos que já se foram.


Os animais estão felizes e contentes, exceto por uma coisinha: cada um deles sente falta de alguém muito especial , que teve que ficar para trás.

Todos correm e brincam juntos, mas chega o dia quando um subitamente para e olha para longe. Seus olhos brilhantes estão atentos; seu corpo treme de ansiedade. De repente ele começa a correr para longe do grupo, voando sobre o gramado verde, suas pernas indo mais e mais rápido.

Você foi avistado, e quando você e o seu amigo finalmente se encontrarem, vocês se abraçam numa reunião feliz, para nunca serem separados novamente. Os beijos alegres chovem sobre o seu rosto; suas mãos afagam de novo a cabeça amada, e você pode olhar mais uma vez nos olhos confiantes do seu amigo, ausentes há tanto tempo da sua vida mas nunca longe do seu coração.

Aí vocês cruzam juntos a Ponte do Arco Íris....


(Autor desconhecido)


Fonte e Foto: Canil Nobiskrug

domingo, maio 10, 2009


Para um cachorro muito amado.



Você tem sido grandioso em nossas vidas, e sempre teve as qualidades do deus grego de quem roubamos o nome para chamarmos de seu, Apolo.

Assim como ele, você tem a beleza e a luz, e creio que a Vida só escolheria um melhor momento para sua chegada, se esse momento fosse antes de nós, antes dos homens, num tempo que era a Era dos bichos, quando então você teria todos os campos e matas, e a sua liberdade inteira a nortear seus caminhos, e certamente sua prole seria imensa!, você tem porte de rei e viveria como um rei a comandar sua matilha.

Mas, não quis assim a Vida que escolheu esse tempo e, para alegria de todos nós, nossa casa, para que você vivesse sua vida, inteirinha!

E nesse tempo, cara, suas quatro patas marcaram quase todos os cantinhos de nossa casa, já que era um de nós, além de nossos corações.

Ah!, sim, havia apenas um local proibido: a minha cama.

Mas que diferença isso faz ou fazia, se você tinha e tem todas as outras camas e também todos os sofás, e isso sem falar no chão – uma imensa cama nos dias mais calorentos – que era todinho seu!

Sempre fui o ultimo da lista de suas preferências entre todos da casa e gostava disso, isso me tornava o último quartel nas suas solidões (você sempre foi muito social, ao contrário de mim), quando todos se ausentavam por uma mesma razão ou por motivos diversos.

Eu só ficava puto da vida quando mijava na casa quando ficava sozinho em noites frias e chuvosas (mas você sabe que eu tinha razão, você sempre teve coragem pra cachorro, pra quê aquilo?); no entanto, entendia quando acontecia porque deixavam trancada a porta da cozinha; por mais inteligente que fosse, impossível esperar que soubesse usar a chave da porta, essa tarefa era para quem tinha mãos, embora sem tanta inteligência quanto você.

Agora você está muito doente e faz de nossa tristeza um fardo que se arrasta pelo chão, e fica tudo muito difícil.

Difícil pensar em nossa casa sem a presença de seus latidos fortes e sem a grandeza do amor de seu coração por nós, de sua fidelidade absoluta, da segurança que nos transmitia e transmite, a todos.

Difícil não imaginar seu porte garboso e suas paradas de cão de caça, nas quais ficava imóvel como uma estátua grega, na qual apenas os olhos tinham movimento, acompanhando os pardais que, temerariamente, ousavam invadir seu espaço para furtar migalhas de sua ração ou de pão, geralmente nas manhãs ou nas tardes em que, com o sol, entravam em nossa casa.

Difícil não pensar em seus olhos acesos no escuro, no fundo do corredor, perto da porta do quarto de Ju, onde você se deitava para esperar aquela que seu coração valente escolheu como a “dona”.

Pareciam dois faróis em meio à escuridão.

Principalmente depois que você juntava num canto do quarto todas as coisas que ela largava espalhada pela casa quando saía: peças de roupa, a camiseta que estava usando, a camisola abandonada, estojo, fazendo com tudo um ninho onde você se colocava em espera paciente.

Teve um dia até que pegou o Iphone que ela havia deixado na mesa da sala e, quando percebi, estava com ele atravessado em sua boca, como fosse uma gaita!, atravessando da sala, onde o pegara em cima da mesa, em direção ao quarto dela.

E ái daqueles que tentassem tirar você do quarto dela, em sua ausência!

Você já recebia o intruso com seu rosnado baixo e, ao mesmo tempo, decisivo: “- Fora, tudo aqui me pertence e você não passa de um intruso!”.

Todos evitavam esse encontro, até minha mulher (que era a única para quem ele não latia quando chegava da rua, para ela fazia festas sem latidos, sabia que ela não gostava de algazarra na chegada...). As pessoas que trabalhava aqui, nem pensar! Não entravam no quarto na ausência de Ju. Simples assim.

Nesses casos extremos eu era chamado, afinal tive que assumir o papel de chefe da matilha antes que você crescesse – tinha lido um livro a respeito – e o desagradável aqui, eu, chegava com o meu –“Sai!!”, que era obedecido em parte, já que nunca você saiu sem levar na boca uma daquelas peças da Ju que tinha juntado por ela, como quem em rebeldia afirmasse que saia, porém com protesto.

Belo e, como todo weimaraner, era aparentemente perigoso num primeiro olhar. Sim, para os estranhos você era uma fera até o primeiro afago. Só.

Após esse primeiro afago, sociável como ninguém, aquela pessoa passava a ser parte de seu mundo, de nosso mundo, e quantas crianças pequenas que você nunca tinha visto sentava em você, dava porrada, e isso nunca nos preocupou. Afinal, Ju e Pe nunca deixaram, graças a Deus, de ser crianças, e você chegou no auge da criancice deles, tipo 13, 14 anos, fazendo com que você visse em toda criança um amigo (Lucas foi o primeiro e maior exemplo).

Seu pelo, num cinza fantasticamente belo, e um olhar de indefinível verde acinzentado, e com seu porte elegante e nobre, nas poucas vezes em que foi à rua – sim, foram poucas se comparadas ao tempo em que vive – faziam com que muitos quisessem lhe fazer um carinho, depois de perguntar se você era “bravo”, e de todos pelo menos roubava um olhar ou um sorriso.

Você conhecia seu charme...

Se alguém estava triste, você sentia e compartilhava e, muitas vezes, creio que você até confortou.

Certamente vão me chamar de doido, mas sei que um dia você falou, em bom português, a palavra “-Não”. Claro, ninguém vai acreditar - salvo engano de memória só eu e Luce ouvimos sua manifestação - , e foi um “não” muitíssimo bem colocado para o momento, e claríssimamente bem pronunciado para não ser colocada em dúvida sua manifestação. Sei que se pudesse sorriria com essa minha inconfidência, rsrsrsrs...

Pe era o segundo colocado na lista de seu coração e era com quem você dividia a cama nas noites prenhes da ausência de Ju, já que você as considerava insuportáveis.

Daí seu mau humor, que fazia questão de demonstrar através de um aparente descaso, quando ela se arrumava e colocava aquele perfume irritante tipo só volto amanhã de manhã.

Era o quanto bastava. Nem adiantava ela querer agradar.

Você simplesmente olhava para o lado oposto quando ela tentava aquela brincadeira sem graça ou simplesmente nem olhava.

Dava uma de surdo e autista, num claro: “- Quer ir? vá,!, dane-se, mas não me enche o saco que não preciso de você”.

Vi isso alguma vezes. Ri muito com seus humores, cara.

Agora você pendura nossos corações num varal. Tentamos enxugar as lágrimas, mas são lágrimas teimosas.

Qualquer coisinha é um sobressalto. Se sua respiração muda de ritmo, se seu olhar está mais triste, se não encontra uma posição mais confortável, tudo é motivo para apertar nosso coração.

Lembro que tive minha Escolha de Sofia em que você foi a parte beneficiada. Não me arrependi.

Afinal pode viver sua vida inteira com a dignidade que merece, como um de nós que se tornou, o que jamais poderia com a presença de Netuno.

Se algo há se pagar por isso, tudo certo, estou pronto!

Valeu para você ser um cão feliz, porque assim pode nos dar tanta felicidade...

Um beijo de todos nós, grande Apolo, meu insubstituível focinhudo.



Ps. Infelizmente Apolo morreu hoje, 10/05/2009, à 20:00h.

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