O pintor e a cela (Sol negro)
Um sol negro
- eu sei –
faz da tua vida um ébano.
Se tens que chorar ou lutar
tu não te apercebes,
enquanto a própria dor, vãmente,
tenta embaciar tua esperança.
Um réquiem pop
- eu sei –
em surdina faz fundo em tua vida.
Estás perplexo, admirado,
contemplando o passar do tempo transformando o presente em passado,
e o passado, mais passado ainda.
De repente, pegas no pincel.
No ambiente translúcido
que te cerca crias,
sem negro sol,
o azul do céu.
Pronto,
completas tua quimera.
No céu abres uma janela
e surge então
o mundo que te foi arrebatado.
Anda! Transfira teu espírito
a esse mundo
- e eu sei –
sonhando, não serás tão magoado.
(Paulo da Vida Athos)
Ilha Grande, um dia qualquer de 1976.

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