quarta-feira, setembro 18, 2013

Ideologia: ódio ao PT

Vez ou outra me vejo na necessidade de defender o PT em, como diria meu amigo Marcão, esgrima virtual. Duro é debater com pessoas que sequer ostentam sua preferência partidária, como se isso fosse uma doença contagiosa, como se tivessem vergonha de não serem petistas ou, pelo menos, de esquerda (invariavelmente são do PSDB ou da direita raivosa). Para mim muitas vezes é duro de aturar esse tipo de ideologia anônima ou simplesmente anti-petista. Mas apenas para não deixar o interlocutor sem resposta, o que seria falta de educação de minha parte vez que ele insiste com a vontade de argumentar e traz novos argumentos à conversa, dou prosseguimento. Algumas colocações até são compartilhadas por mim, principalmente as desairosas com relação ao PMDB, sobre Cabral e Paes, sobre alianças expúrias em nome da governabilidade, e o muito mais que poderia, já, ter sido feito. Não posso concordar com o que chamam de "política de assistencialismo" para o único programa feito e efetivamente implementado por um governo, para tirar a maior parte do povo da pobreza absoluta ou da miséria, o bolsa-família. Quem tem fome tem pressa, disse Betinho. Não creio que alguém realmente classifique programas individuais como Cotas, Bolsa-Família, PAC, Pronatec, Minha Casa, Minha Vida, ProUni, Ifets, Fies, ReUni, na categoria de assistencialismo e não de resgate de cidadania e de um mínimo de justiça social. Só o bolsa-família reduziu trabalho precoce "na faixa de 15 a 17 anos, evitando o abandono da escola para ajudar na renda doméstica. Em 2003, estes jovens eram 26% da População Economicamente Ativa (PEA) índice que foi reduzido a 18,9% em 2011. Tudo isto nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Recife, Salvador e Porto Alegre, segundo o IBGE. Observamos também uma significativa redução do trabalho infantil que, de 2001 a 2011, caiu de 11,6% para 5,5%, na faixa de 10 a 14 anos." A velha mídia e a oposição faz isso, esconde essa realidade, mas com o viés de revanchismo e um pouco de inveja, e esse é o discurso da Veja, da Globo e de toda velha mídia golpista. E é golpista assumida, como vimos em O Globo. A mídia alternativa é a arma de desmentido que hoje temos à mão. Alguns comparam Carta Capital com o Globo, a Veja e a mídia tradicional. Mas nem quem o faz acredita nisso. Comparar a Veja com qualquer "blog sujo", ou site de esquerda, é concluir que a mídia alternativa é límpida e cheirosa, e isso está na história. A velha mídia que está fazendo oposição no lugar de PSDB, DEM, etc., ê a mesma que sempre esteve e está contra o povo, e que, confessadamente, apoiou a ditadura. As editorias tradicionais, por fazerem parte dessa elite, nunca jogou ou jogará a favor do povo e isso é incontestável e não serve como argumento, muito menos é legítimo comparar. Onze famílias comandam a mídia no Brasil. Famílias da elite, que jogam no time da elite que joga contra o povo. Dê uma olhada nesse vídeo: http://evoluindo-sempre.blogspot.com.br/... Mas, continuando, criticar o PT com esse mesmo discurso usado pela velha mídia, apenas aponta desconhecimento, ou deliberado intuito de esconder o impossível de ser escondido, com relação ao conquistado pelo povo na era do petismo. Como descartar o aumento da geração de empregos, o aumento da renda do trabalhador, o avanço (que insistem em subestimar) na educação, na qualidade do ensino, na redução da pobreza e as conquista na área habitacional? Isso a velha mídia tenta esconder, assim como a oposição, mas o povo, o beneficiário, responde que existem sim, com seu voto, como espero ocorrer em 2014, em que pese a sanha mídia, da elite e da burguesia. Alguns dos detratores dizem que, um dia, estiveram com Lula, que o apoiaram. Creio ser verdade, assim como sei que Arnaldo Jabor já esteve na esquerda. Quanto a alianças espúrias, como governar o Brasil diante de um sistema presidencialista com dispositivos parlamentaristas? Foi o que fez Janio renunciar por não poder presidir, de fato, a República. Jango quando assumiu fez um plebiscito e derrubou o parlamentarismo. A elite civil e militar insuflou a burguesia com a velha história de que o comunismo estava batendo às portas do Brasil para cimeras criancinhas e houve o golpe contra um governo legitimamente eleito, o de Jamgo, que tinha aprovação, segundo pesquisas à época, realizadas entre "os dias 20 e 30 de março de 1964, quando a democracia já era tangida ao matadouro pelos que bradavam a sua defesa em manchetes e editoriais, mostram que: a) 69% dos entrevistados avaliavam o governo Jango como ótimo (15%), bom (30%) e regular (24%). Apenas 15% o consideravam ruim ou péssimo, fazendo eco dos jornais; b) 49,8% cogitavam votar em Jango, caso ele se candidatasse à reeleição, em 1965 (seu mandato expirava em janeiro de 1966); 41,8% rejeitavam essa opção; c) 59% apoiavam as medidas anunciadas pelo Presidente na famosa sexta-feira, 13 de março." Pois bem, o que é o mensalão, fraude contra o erário? Tá, que se julgue sem espetacularização e dentro das regras do devido processo legal. Ele e todas as demais denúncias de fraude, sem preferencias partidárias, tudo ao comando das regras processuais em vigor, sem julgamentos de exceção. Ora, mas isso não importa! O importante é fritar o PT, e o povo junto, como fizeram com Jango. O que estamos assistindo nada mais é que um golpe disfarçado em prestação jurisdicional. Não fosse, o julgamento não seria esse espetáculo midiático e violador de princípios seculares de direitos individuais, conquistado com muito sangue e muita dor pela humanidade. Repito, isso é o mais importante em jogo nesse momento. Só cego não vê. Se o PT fez tudo que poderia fazer, claro que não. Precisa fazer muito mais. Mas nada justifica esse ódio que atropelou a justiça brasileira, envergonhando o mundo jurídico. Mas eles preferem o golpe, para depois fazer o que sempre fizeram pelo povo brasileiro: nada.

sábado, agosto 24, 2013

Os médicos cubanos, a hipocrisia burguesa e a oposição


A oposição e as instituições representativas da categoria, são contra a vinda dos médicos estrangeiros, de qualquer nacionalidade ainda que a velha mídia os mencione apenas como "os médicos cubanos".

A conduta daqueles que se opõem é censurável, em maior ou menor grau, em razão de seus interesses. 

As corporações representativas da categoria, são contra,  e argumentam, para fundamentar essa posição, que eles "são despreparados", o que já restou desmentido. São preparados, não são recém formados, e guardam experiências de outras ações semelhantes em locais onde a miséria, ou a falta de profissionais do ramo, os levaram. Ridiculamente até os nomearam curandeiros, afirmando que os processarão por esse crime.

A oposição fala em trabalho escravo e falta de transparência na contratação, enquanto aqui são a favor da terceirizaçào que solapa direitos dos trabalhadores em favor de quem bancou suas candidaturas, os empresários.

Ambos estão na mesma trincheira: contra o povo desasistido. Esse povo que vive em rincões distantes, ou em áreas de risco nas favelas e nas periferias, onde nossos médicos não podem ou não querem estar.

As associações médicas, em nome do dinheiro.

A oposição, em nome do poder.

Um poder que querem e nunca receberão do povo que preferem ver desasistido ou morto.

terça-feira, junho 18, 2013

A direita, através da grande mídia, tenta cooptar os protestos

A grande mídia está tentando cooptar as manifestações.  Quando ouço Jabor se desculpar e elogiar, já acende em mim uma dupla luz vermelha ("cuidado", diz minha voz interior, " esse cara é o porta voz do que de pior existe para a democracia, a rede esgoto de televisão"); então observo a capa tendenciosa e subreptícia da Veja, como se ela desde sempre apoiasse as manifestações, somo aos elogios da Folha e do Estadão fechando o coro da mídia venal em favor dos Manifestos, justamente eles que semana passada exigiam gás lacrimogêneo, spray pimenta, borracha e chumbo, para essa mesma galera e que, ao longo da história recente, apoiaram a ditadura militar e apóiam tudo que é contra as aspirações das camadas mais desvalidas de nossa população. Minha voz interior não cala, "cuidado, a direita está armando um golpe através da única oposição as esquerdas no Brasil, a mídia; o movimento social está sem liderança efetiva e, como uma boiada, pode ser tangida pela tela da Rede Globo". Ê preciso, penso, uma maciça participação através de todos os meio e formas disponíveis, pela esquerda, para denunciar essa tentativa de manipulação dos jovens que está em movimento. Sem autofagismo, a esquerda precisa despertar para o fato de que estamos entregando para a direita, de mãos beijadas e olhos cerrados para a realidade, tudo que conquistamos desde que os golpistas de 64 aparentemente saíram de cena. Enganam-se aqueles que pensam que saíram de cena mesmo. Estão a espreita de um momento favorável. E o que estamos presenciando inertes e desunidos  pode ser o momento que a reaçada tanto espera. Aqueles que criaram essa marola, muitos deles de partidos de esquerda, não avaliaram que poderia tomar essa proporção e sair de controle. E a direita tenta entrar nesse vácuo e usar os protestos em seu benefício. Por exemplo, a Globo é contra a PEC 37, para poder usar o MP em seu denuncismo, pois se apoia em setores do mesmo.  Usa o discurso de que apoiar a PEC 37 é enfraquecer o Ministério Público, esse mesmo MP que só investiga o que a Globo pauta (ou alguém esqueceu que o mensalão  tucano não ata nem desata e das violências ao Direito praticadas na AP 470?).  Na verdade a PEC 37 não é a favor da corrupção, ela é contra as práticas de favorecimento ao denuncismo da Globo, da Veja e da grande mídia venal.  Essa manipulação está visível.  É urgente que, agora, a esquerda vá para as ruas com suas plataformas tradicionais e progressistas contra a direita, para tentar dar norte a essa onda gigante que a direita tenta cavalgar. 

quarta-feira, junho 12, 2013

Lugar de petista é do lado do povo

Leio críticas a alguns movimentos sociais. A máfia do Rio-Ônibus, a Fetransportes, assim como a máfia das construtoras e outros grupos semelhantes, são sócios e partícipes do governo estadual e municipal no Rio de Janeiro. Sócios-asseclas. Veja o envolvimento da Delta com os governos fluminense e carioca, veja como estão loteando o Rio de Janeiro. Nem o Maraca, mais, é nosso. Ora, se a máfia do transporte público está "fechada" com o governo do estado e com a prefeitura, o que mais pode fazer quem quer lutar, o povo? Se omitir como ocorreu durante os anos da ditadura, em que muitos se sacrificaram por milhões que se acovardaram? Ficar inerte como ficou nos últimos anos ou botar o bloco na rua? Tá, existe inexperiência nas manifestações, mas não vejo outro meio de adquirir essa experiência sem ir para as ruas, as ruas são os palanques do povo. O Movimento Passe Livre tem feito isso, e não apenas ele. Outros movimentos surgem e essa é uma tendência mundial. Apenas a juventude deve estar atenta para não ser usada pela direita, para isso deve cada vez mais se envolver com política, beber política, viver política, olhar para o passado para não repetir erros que foram cometidos (principalmente, o da omissão): e ir a luta. Bater em retirada quando não for possível avançar, para depois poder poder voltar com maior ímpeto. Jamais cruzar os braços ou se omitir. De minha parte creio que devem ser incentivados e que devemos estar com eles nas ruas, sempre que pudermos. Justamente por causa dessa relação dessas máfias com as prefeituras, é que o povo deve tomar as rédeas. Se o pacto social é injusto socialmente, rompa-se com ele. Creio que, com essa ou aquela diferença, quem é petista ou de esquerda, quanto a essência pensa da mesma forma. Prefiro o PT longe de Cabral e Paes, e bem perto do povo. Assim, continuarei petista enquanto minha repugnância por algumas alianças expúrias, que já foram feitas, permitir. Não estou sozinho, não sou um petista louco e solitário: a Juventude Petista está comigo em seu manifesto: "Neste sentido, a Juventude do PT vem a público reivindicar a reversão dos aumentos das passagens e manifestar sua solidariedade e apoio aos movimentos que lutam contra esses aumentos. Mais que isso: conclamamos a militância petista a participar ativamente das manifestações e comitês, a começar pelo ato do dia 11 de junho, às 17h, na Praça do Ciclista, Av. Paulista!" Se tem partidos da esquerda querendo derrubar o PT com esses movimentos, evidente que sim. Apenas nas cidades do PT ocorreram manifestações. Mas reassumo que não é o caso de demonificar as manifestações, mas sim de colocar a militância petista nas ruas, ao lado do povo, como era no passado. Continuarei louco, ainda sou petista, não estou sozinho, e jamais me posicionarei contra o que é justo para o povo.  O excessivo uso da força contra os manifestantes no Brasil, apenas demonstra que as forças de segurança estão despreparadas. Ninguém pode duvidar da legitimidade das manifestações. Somente os hipócritas.  O que o PT deveria fazer era apoiar as manifestações. Foram elas que conduziram-no ao governo. Ao contrário de criticar, deveria colocar sua militância nas ruas, junto com PSOL, PSTU, PCO, UNE, fazendo tremular nossas bandeiras. Sair dessa inércia que nos assemelha ao que antes criticávamos. Entre o partido, o  Poder e o povo, fico com o povo.

sexta-feira, abril 19, 2013

Corpo de pobre não dá Ibope



Corpo de pobre não dá Ibope.


Não dá para não perceber a diferença de tratamento que é dado pela mídia, entre a vítima rica e a vítima pobre.  Em manifesto interesse comercial, a grande mídia coloca luzes diferentes sobre cadáveres iguais.  Sim, iguais, pois se tem uma coisa que nivela todos nós, é a morte.  

Se a vítima faz parte da classe média alta, dá para ver o cifrão no início de cada frase escrita, ou nos olhos dos apresentadores de nossos telejornais.  Não há interesse público norteando as redações, há interesse no público.  Saindo do costumeiro quadro de tratamento dado pela grande mídia quando a violência urbana faz uma vítima na classe média, constata-se que o mesmo tratamento é dado nas tragédias.  

Se falo no caso Bateau Mouche IV, embarcação de turismo que naufragou na Baia de Guanabara em 31 de dezembro de 1988, todos que contavam com mais de 20 anos, naquela data, terá alguma lembrança sobre o caso.  Nem é para menos, durante décadas, enquanto não transitou a sentença judicial sobre o fato, a mídia repercutiu.  Haviam 142 passageiros a bordo; 55 perderam a vida.  Dentre as vítimas fatais, estava a atriz global  Yara Amaral. Lembraram?  Pois bem, a mídia, hoje, repercute mais uma tragédia com embarcação na Bacia  Amazônica. 

O dono do "Iate Leão do Norte", que naufragou próximo a Ilha de Marajó nessa madrugada,  informou à polícia que havia 54 pessoas na embarcação, mas o número oficial informa 11 mortos e 46 desaparecidos.   Ao longo de todos esses anos, centenas de naufrágios ocorreram na região amazônica.  A mídia, quando noticia, o faz uma vez, e não mais repercute o fato.   Tenho em minha memória a tragédia da embarcação "Novo Amapá", ocorrida no rio Cajari, no Pará, no início de janeiro de 1981, onde cerca de 300 das 600 pessoas perderam a vida. Alguém lembra? 

 Pois é, entre 1981 até hoje, todos os anos uma tragédia ocorre nas águas daqueles rios, as vezes mais de uma vez por ano.  As autoridades, civis e militares, incluindo a Marinha, que tem o poder regulador e fiscalizador,  nunca fizeram nada.   A mídia não as menciona, ou, quando o faz, não é mais que um dia.  

São corpos de pobres, não dão Ibope.

Corpo de pobre não dá Ibope



Corpo de pobre não dá Ibope.


Não dá para não perceber a diferença de tratamento que é dado pela mídia, entre a vítima rica e a vítima pobre.  Em manifesto interesse comercial, a grande mídia coloca luzes diferentes sobre cadáveres iguais.  Sim, iguais, pois se tem uma coisa que nivela todos nós, é a morte.  

Se a vítima faz parte da classe média alta, dá para ver o cifrão no início de cada frase escrita, ou nos olhos dos apresentadores de nossos telejornais.  Não há interesse público norteando as redações, há interesse no público.  Saindo do costumeiro quadro de tratamento dado pela grande mídia quando a violência urbana faz uma vítima na classe média, constata-se que o mesmo tratamento é dado nas tragédias.  

Se falo no caso Bateau Mouche IV, embarcação de turismo que naufragou na Baia de Guanabara em 31 de dezembro de 1988, todos que contavam com mais de 20 anos, naquela data, terá alguma lembrança sobre o caso.  Nem é para menos, durante décadas, enquanto não transitou a sentença judicial sobre o fato, a mídia repercutiu.  Haviam 142 passageiros a bordo; 55 perderam a vida.  Dentre as vítimas fatais, estava a atriz global  Yara Amaral. Lembraram?  Pois bem, a mídia, hoje, repercute mais uma tragédia com embarcação na Bacia  Amazônica. 

O dono do "Iate Leão do Norte", que naufragou próximo a Ilha de Marajó nessa madrugada,  informou à polícia que havia 54 pessoas na embarcação, mas o número oficial informa 11 mortos e 46 desaparecidos.   Ao longo de todos esses anos, centenas de naufrágios ocorreram na região amazônica.  A mídia, quando noticia, o faz uma vez, e não mais repercute o fato.   Tenho em minha memória a tragédia da embarcação "Novo Amapá", ocorrida no rio Cajari, no Pará, no início de janeiro de 1981, onde cerca de 300 das 600 pessoas perderam a vida. Alguém lembra? 

 Pois é, entre 1981 até hoje, todos os anos uma tragédia ocorre nas águas daqueles rios, as vezes mais de uma vez por ano.  As autoridades, civis e militares, incluindo a Marinha, que tem o poder regulador e fiscalizador,  nunca fizeram nada.   A mídia não as menciona, ou, quando o faz, não é mais que um dia.  

São corpos de pobres, não dão Ibope.

sábado, janeiro 19, 2013

Diminuição da menoridade penal é cinismo



É engraçado.  Num país onde em pleno século XXI ainda se tortura e se mata oficialmente, como gritar por redução da menoridade penal?  Antes de qualquer coisa é preciso limpar dos quadros policiais bandidos que lá se encobrem para prática de seus crimes, e, para isso, a sociedade tem que se despir de seu cinismo e cobrar isso aos governos que elege. Se o governo não age, que se deponha o governo.  Mas que não se coloque mais essa conta na mesa dos miseráveis.


sábado, dezembro 29, 2012

Sonhos e recomeços.













O ano finda e se desfaz no céu do tempo. 

Vai e leva consigo todas as desesperanças que reinam sobre a terra, as dores que se abrigam no coração das gentes; a fome que ceifa vidas que mal começaram; as guerras e suas inexplicalidades; a intolerância que elimina não as diferenças, mas os diferentes; o desejo de posse que assassina.

Que venha não apenas um ano novo; que venha diferente:

- um ano em que  balas perdidas não encontrem no espaço a vida de ninguém; aliás, que elas sequer existam;

- que o homem ame sua humanidade, e que queira mais ser do que ter, mais sorrir que ferir, mais amar que fazer chorar;

- um ano sem guerras, onde imagens dilaceradas de crianças palestinas, sírias ou libanesas, criança qualquer de qualquer lugar da terra, invada nossas salas, no jornal televisivo do horário nobre, apontando nossa pequenez;

- um novo ano em que os jovens, ricos ou pobres, negros ou brancos, vermelhos ou amarelos, possam andar pelas ruas de nossas cidades, sem medo, estampando na cara o sorriso que emana da juventude; um ano em que nossos jovens não sejam punidos por serem pobres ou negros;

- um novo ano com tolerância para com a diversidade, em que o ser humano tenha liberdade para amar, independente de gênero, para amar sem medo, e caminhar pelas calçadas, pelas praças e pelas praias das cidades, de mãos dadas, cantando um canto de amor e escrevendo na terra uma nova história;

- um novo ano em que nós, os invasores, passemos a respeitar os donos da terra, esses que temos estuprado, escravizado, violentado, queimado ou alagado suas casas, e destruído sua história;

- um novo ano em que os Arara, Araweté, Ashaninka, Asurini, Bororo, Enawenê Nauê, Guarani, Juruna, Yudja,  Kaapor, Kayapó, Kalapalo, Karajá, Kaxinawá, Krahô, Mayoruna, Marubo, Matis, Matipu, Mehinako, Rikbaktsa, Suruí, Tembé, Ticuna, Tiriyó, Waiana Apalaí, Waurá, Wai Wai, Waiãpi, Ye'kuana, não tenham o mesmo destino de extinção que tiveram os Aimoré, Botocudo, Caeté, Canindé, Genipapo, Carijó, Cariri, Caratiú, Icó, Panati, Charrua, Omágua, Potiguar, Tamoio, Tucujú, Tupinambá  e Tupiniquim, ao longo desses cinco séculos de lento contínuo genocídio;

- um novo ano em que lutássemos por eles; somos todos responsáveis.  Afinal, para que a energia acenda a luz em nossas casas, temos aceitado essa prática genocida como se não tivéssemos nada com isso.  Temos sim.  Muito!  Aliás, temos tudo, e, pior, temos usado da confortável capa do cinismo para manutenção de nosso conivente silêncio, de nossa visceral omissão.

- um ano em que iremos para as ruas! Temos que ir para as ruas!  Não apenas porque um presidente deixou de agradar a mídia e aos poderosos, como foi o caso de Collor; não apenas para protestar contra a comemoração em que os assassinos golpistas de 64 acintosamente propagavam cantos àquele período de tortura e morte; temos que ir para as ruas pela liberdade, pela igualdade e pela Vida;

- um ano em que se coloque um fim a guerra às drogas, que apenas tem matado nossos jovens;

- um ano em que nossos juízes sejam Magistrados e não atores, que não façam do STF um palco midiático, que não desonrem a história da magistratura nacional.

Temos que ir para as ruas, sempre que:

- a vida de uma criança indígena estiver em risco;

- uma bala perdida mate um inocente;

- um jovem for assassinado nas periferias;

- um ser humano morrer por falta de atendimento médico;

- não houver vagas nas escolas para todas as nossa crianças e jovens;

- alguém for levado à força para uma internação compulsória porque está exercendo o mesmo direito do outro que bebe uma cerveja ou fuma um cigarro na rua;

- a mídia golpista sabotar as conquistas populares ou criminalizar movimentos sociais;

- soubermos que empresários se unirem a políticos em nome da corrupção e não forem levados a julgamento;

- algum poder ou instituição da República, mancomunado ou não com o golpismo midiático, coloque em risco a Democracia.

Quero um ano em que primemos por dois conceitos fundamentais: igualdade e justiça social.

Quero um ano em que, ao seu final, possamos todos dizer:  “-Como foi feliz o ano que passou!”

Então, que seja assim!

Feliz 2013 para todos!

Oraçao para Oxumare

Oraçao para Oxumare Que Oxumaré nos cubra com sua bênção Traz para nós, Oxumaré, saúde para o corpo, paz para o coração, clareza para o pens...