segunda-feira, maio 18, 2009

A PONTE DO ARCO-ÍRIS


A Ponte do Arco-Íris


Bem do ladinho do céu tem um lugar chamado Ponte do Arco Íris.

Quando morre um animal que foi especial para alguém daqui, esse animal vai para Ponte do Arco Íris.


Lá existem riachos e colinas para que todos os nossos amigos possam correr e brincar juntos .
Tem muita comida, água e sol, e nossos amigos estão quentinhos e confortáveis. .

Todos os animais que estavam velhos e doentes voltaram a ter vigor e saúde; aqueles que estavam machucados ou aleijados estão inteiros e fortes novamente, exatamente como nas nossas lembranças dos tempos que já se foram.


Os animais estão felizes e contentes, exceto por uma coisinha: cada um deles sente falta de alguém muito especial , que teve que ficar para trás.

Todos correm e brincam juntos, mas chega o dia quando um subitamente para e olha para longe. Seus olhos brilhantes estão atentos; seu corpo treme de ansiedade. De repente ele começa a correr para longe do grupo, voando sobre o gramado verde, suas pernas indo mais e mais rápido.

Você foi avistado, e quando você e o seu amigo finalmente se encontrarem, vocês se abraçam numa reunião feliz, para nunca serem separados novamente. Os beijos alegres chovem sobre o seu rosto; suas mãos afagam de novo a cabeça amada, e você pode olhar mais uma vez nos olhos confiantes do seu amigo, ausentes há tanto tempo da sua vida mas nunca longe do seu coração.

Aí vocês cruzam juntos a Ponte do Arco Íris....


(Autor desconhecido)


Fonte e Foto: Canil Nobiskrug

domingo, maio 10, 2009


Para um cachorro muito amado.



Você tem sido grandioso em nossas vidas, e sempre teve as qualidades do deus grego de quem roubamos o nome para chamarmos de seu, Apolo.

Assim como ele, você tem a beleza e a luz, e creio que a Vida só escolheria um melhor momento para sua chegada, se esse momento fosse antes de nós, antes dos homens, num tempo que era a Era dos bichos, quando então você teria todos os campos e matas, e a sua liberdade inteira a nortear seus caminhos, e certamente sua prole seria imensa!, você tem porte de rei e viveria como um rei a comandar sua matilha.

Mas, não quis assim a Vida que escolheu esse tempo e, para alegria de todos nós, nossa casa, para que você vivesse sua vida, inteirinha!

E nesse tempo, cara, suas quatro patas marcaram quase todos os cantinhos de nossa casa, já que era um de nós, além de nossos corações.

Ah!, sim, havia apenas um local proibido: a minha cama.

Mas que diferença isso faz ou fazia, se você tinha e tem todas as outras camas e também todos os sofás, e isso sem falar no chão – uma imensa cama nos dias mais calorentos – que era todinho seu!

Sempre fui o ultimo da lista de suas preferências entre todos da casa e gostava disso, isso me tornava o último quartel nas suas solidões (você sempre foi muito social, ao contrário de mim), quando todos se ausentavam por uma mesma razão ou por motivos diversos.

Eu só ficava puto da vida quando mijava na casa quando ficava sozinho em noites frias e chuvosas (mas você sabe que eu tinha razão, você sempre teve coragem pra cachorro, pra quê aquilo?); no entanto, entendia quando acontecia porque deixavam trancada a porta da cozinha; por mais inteligente que fosse, impossível esperar que soubesse usar a chave da porta, essa tarefa era para quem tinha mãos, embora sem tanta inteligência quanto você.

Agora você está muito doente e faz de nossa tristeza um fardo que se arrasta pelo chão, e fica tudo muito difícil.

Difícil pensar em nossa casa sem a presença de seus latidos fortes e sem a grandeza do amor de seu coração por nós, de sua fidelidade absoluta, da segurança que nos transmitia e transmite, a todos.

Difícil não imaginar seu porte garboso e suas paradas de cão de caça, nas quais ficava imóvel como uma estátua grega, na qual apenas os olhos tinham movimento, acompanhando os pardais que, temerariamente, ousavam invadir seu espaço para furtar migalhas de sua ração ou de pão, geralmente nas manhãs ou nas tardes em que, com o sol, entravam em nossa casa.

Difícil não pensar em seus olhos acesos no escuro, no fundo do corredor, perto da porta do quarto de Ju, onde você se deitava para esperar aquela que seu coração valente escolheu como a “dona”.

Pareciam dois faróis em meio à escuridão.

Principalmente depois que você juntava num canto do quarto todas as coisas que ela largava espalhada pela casa quando saía: peças de roupa, a camiseta que estava usando, a camisola abandonada, estojo, fazendo com tudo um ninho onde você se colocava em espera paciente.

Teve um dia até que pegou o Iphone que ela havia deixado na mesa da sala e, quando percebi, estava com ele atravessado em sua boca, como fosse uma gaita!, atravessando da sala, onde o pegara em cima da mesa, em direção ao quarto dela.

E ái daqueles que tentassem tirar você do quarto dela, em sua ausência!

Você já recebia o intruso com seu rosnado baixo e, ao mesmo tempo, decisivo: “- Fora, tudo aqui me pertence e você não passa de um intruso!”.

Todos evitavam esse encontro, até minha mulher (que era a única para quem ele não latia quando chegava da rua, para ela fazia festas sem latidos, sabia que ela não gostava de algazarra na chegada...). As pessoas que trabalhava aqui, nem pensar! Não entravam no quarto na ausência de Ju. Simples assim.

Nesses casos extremos eu era chamado, afinal tive que assumir o papel de chefe da matilha antes que você crescesse – tinha lido um livro a respeito – e o desagradável aqui, eu, chegava com o meu –“Sai!!”, que era obedecido em parte, já que nunca você saiu sem levar na boca uma daquelas peças da Ju que tinha juntado por ela, como quem em rebeldia afirmasse que saia, porém com protesto.

Belo e, como todo weimaraner, era aparentemente perigoso num primeiro olhar. Sim, para os estranhos você era uma fera até o primeiro afago. Só.

Após esse primeiro afago, sociável como ninguém, aquela pessoa passava a ser parte de seu mundo, de nosso mundo, e quantas crianças pequenas que você nunca tinha visto sentava em você, dava porrada, e isso nunca nos preocupou. Afinal, Ju e Pe nunca deixaram, graças a Deus, de ser crianças, e você chegou no auge da criancice deles, tipo 13, 14 anos, fazendo com que você visse em toda criança um amigo (Lucas foi o primeiro e maior exemplo).

Seu pelo, num cinza fantasticamente belo, e um olhar de indefinível verde acinzentado, e com seu porte elegante e nobre, nas poucas vezes em que foi à rua – sim, foram poucas se comparadas ao tempo em que vive – faziam com que muitos quisessem lhe fazer um carinho, depois de perguntar se você era “bravo”, e de todos pelo menos roubava um olhar ou um sorriso.

Você conhecia seu charme...

Se alguém estava triste, você sentia e compartilhava e, muitas vezes, creio que você até confortou.

Certamente vão me chamar de doido, mas sei que um dia você falou, em bom português, a palavra “-Não”. Claro, ninguém vai acreditar - salvo engano de memória só eu e Luce ouvimos sua manifestação - , e foi um “não” muitíssimo bem colocado para o momento, e claríssimamente bem pronunciado para não ser colocada em dúvida sua manifestação. Sei que se pudesse sorriria com essa minha inconfidência, rsrsrsrs...

Pe era o segundo colocado na lista de seu coração e era com quem você dividia a cama nas noites prenhes da ausência de Ju, já que você as considerava insuportáveis.

Daí seu mau humor, que fazia questão de demonstrar através de um aparente descaso, quando ela se arrumava e colocava aquele perfume irritante tipo só volto amanhã de manhã.

Era o quanto bastava. Nem adiantava ela querer agradar.

Você simplesmente olhava para o lado oposto quando ela tentava aquela brincadeira sem graça ou simplesmente nem olhava.

Dava uma de surdo e autista, num claro: “- Quer ir? vá,!, dane-se, mas não me enche o saco que não preciso de você”.

Vi isso alguma vezes. Ri muito com seus humores, cara.

Agora você pendura nossos corações num varal. Tentamos enxugar as lágrimas, mas são lágrimas teimosas.

Qualquer coisinha é um sobressalto. Se sua respiração muda de ritmo, se seu olhar está mais triste, se não encontra uma posição mais confortável, tudo é motivo para apertar nosso coração.

Lembro que tive minha Escolha de Sofia em que você foi a parte beneficiada. Não me arrependi.

Afinal pode viver sua vida inteira com a dignidade que merece, como um de nós que se tornou, o que jamais poderia com a presença de Netuno.

Se algo há se pagar por isso, tudo certo, estou pronto!

Valeu para você ser um cão feliz, porque assim pode nos dar tanta felicidade...

Um beijo de todos nós, grande Apolo, meu insubstituível focinhudo.



Ps. Infelizmente Apolo morreu hoje, 10/05/2009, à 20:00h.

terça-feira, abril 21, 2009

ORAÇÃO PARA SÃO JORGE.



ORAÇÃO PARA SÃO JORGE.







Eu andarei vestido e armado com as armas de São Jorge, para que meus inimigos, tendo pés não me alcancem, tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me vejam e nem em pensamentos eles possam me fazer mal.

Armas de fogo o meu corpo não alcançarão, facas e lanças se quebrem sem o meu corpo tocar, cordas e correntes se arrebentem sem o meu corpo amarrar.

Jesus Cristo, me proteja e me defenda com o poder de sua Santa e Divina Graça.

Virgem de Nazaré, me cubra com o seu manto sagrado e divino, protegendo-me em todas as minhas dores e aflições; e Deus, com a sua Divina Misericórdia e grande poder, seja meu defensor contra as maldades e perseguições dos meus inimigos.

Glorioso São Jorge, em nome de Deus estenda-me o seu escudo e as suas poderosas armas, defendendo-me com a sua força e com a sua grandeza, e que debaixo das patas de seu fiel ginete, meus inimigos fiquem humildes e submissos a vós.

Assim seja com o poder de Deus, de Jesus e da falange do Divino Espírito Santo.

São Jorge: rogai por nós.




Amém.


terça-feira, abril 14, 2009

"Você realmente Já amou uma Mulher?"










"Você realmente Já amou uma Mulher?"

(Bryan Adams)

- Do filme Dom Juan De Marco -

Para realmente amar uma mulher, para compreendê-la
Você precisa conhecê-la profundamente por dentro
Ouvir cada pensamento, ver cada sonho
E dar-lhe asas quando ela quiser voar
Então, quando você se achar repousando
Desamparado nos braços dela
Você saberá que realmente ama uma mulher...

Quando você ama uma mulher
Você lhe diz que ela, realmente, é desejada
Quando você ama uma mulher
Você lhe diz que ela é a única
Pois ela precisa de alguém
Para dizer-lhe que vai durar para sempre.
Então diga-me: você realmente, realmente
Realmente já amou uma mulher?

Para realmente amar uma mulher
Deixe-a segurar você
Até que você saiba como ela precisa ser tocada
Você precisa respirá-la, realmente saboreá-la
Até que você possa sentí-la em seu sangue
E quando você puder ver
Seus filhos que ainda não nasceram
Dentro dos olhos dela
Você saberá que realmente ama uma mulher

Você precisa dar-lhe um pouco de confiança
Segurá-la bem apertado
Um pouco de ternura, precisa tratá-la bem
Ela estará perto de você, cuidando bem de você
Você realmente precisa amar uma mulher...
Então, quando você se achar repousando
Desamparado nos braços dela
Você saberá que realmente ama uma mulher...
Então diga-me: você realmente, realmente
Realmente já amou uma mulher?
Então diga-me:
Você, realmente, já amou uma mulher?

Acima, leia a tradução de "Have you ever really loved a woman?" e abaixo assista o clip da música.



domingo, abril 12, 2009

De Páscoa, prisões e passagens.










Existem muitos significados para a palavra Páscoa, pagãos ou não pagãos, ligados á natureza ou não, mas sempre com um ponto em comum: a mudança. Assim colocado, ouso dizer que seu grande significado é a transformação de um estado ou posição, para outro estado ou posição melhor que o anterior. Ou seja: tudo que a humanidade precisa nessa esquina do tempo.
Vivemos um tempo manchado de sangue de inocentes, de gritos de socorro não ouvidos, de pessoas morrendo de fome, de mísseis que entram pelo telhado das casas como balas perdidas que encontram vidas que são ceifadas, assim, num estalar de dedos.
Vivemos um tempo assim, de ouvidos surdos, de conivência muda, em que pequena parte da humanidade, que tem o poder de decidir ou de exigir uma decisão diversa, é legitimadora de genocídios como os ocorridos em Ruanda, Angola, Curdistão, Palestina, Afeganistão, Iraque, que pesquisadores, descartando o termo genocídio, atualmente usam o “violência massiva” e o definem como “fenômeno humano da destruição coletiva por causas culturais, religiosas, sociais e políticas”, e que alguns Estados terroristas conceituam como “combate ao terrorismo”.
Vivemos um tempo em que falta ao homem, humanidade. Essa desumanidade, somada ao silêncio legitimador da maioria, permitiu a criação de infernos como prisão de Abu Ghraib, Guantánamo, e todas as atrocidades lá cometidas. Esse mesmo silêncio, não nos permite sequer pensar no óbvio: o fechamento de Guantánamo não responde a principal questão: onde estão os cerca de vinte mil iraquianos que lá estavam presos? O que estão passando nos infernos de Campo Bucca e Campo Cropper, já que não há acusação formal, nem direito de defesa, nem fiscalização da comunidade internacional?
Não temos resposta. Aliás, nem perguntamos! Assim como nada fazemos quando nossas comunidades carentes viram palco de “operações contra o tráfico”, o que, traduzido ao pé-da –letra quer dizer: “terra de ninguém”. E nessas operações, cada inocente que é abatido conta apenas com o silêncio omisso de todos nós. Nem uma voz, um movimento, nada é feito para cobrar a imediata cessação do absurdo, enquanto abrimos nossos ovos de Páscoa num domingo de abril.
Fazer uma oração não basta sem que com ela venha a ação. Deus também conta com nossa ação.
Faço o que posso e posso mais do que faço, é verdade, mas faço mais que orar durante o ano inteiro.
Por isso me concedo, hoje, fazer apenas uma prece.
Que seja essa Páscoa uma passagem por onde trafeguem nossas ações e que, através delas, Deus realize seu maior desejo.
O de que não matemos em nós, a humanidade.
Feliz Páscoa ao mundo.
Paulo da Vida Athos

domingo, março 29, 2009


Dualidades.



por Paulo da Vida Athos.


Não conheço quem do amor diga palavras certas, de precisão, nem mesmo incertas, que o defina quando nos rasga fibra por fibra, quando tudo em derredor é aurora e luz, ou quando nos isola imersos na solidão dos desnascidos, embalados no esgar insone das madrugadas ou no espanto das manhãs ensolaradas.


Não ouvi ser derramada da boca do douto ou do ébrio, do profeta ou do louco, nem da prancheta dos poetas visionários, a fórmula que o defina, a razão de nele perdermos a razão, de deixar-nos de rastros enquanto nos julgamos a voar em céus de inexistentes mundos, ou de olharmos um vagabundo reverenciando-o como se fosse um rei, ou uma puta como se santa fosse, no apogeu de um milagre.


Nunca vi nascer, da suavidade dos pincéis ou da dureza dos cinzéis, a resposta em forma ou em cores, que revelasse esse sentimento que como lente projetiva inverte nossas idas tornando-as voltas, todos os nossos risos em mágoas, a lisa flor da água em ondas revoltas, na imensidão de nosso mar interior.


Há uma lente especial que nos orienta o olhar e nos mostra a verdade do amor quando imersos em amor caminhamos na vida. É uma verdade dele, do amor, não nossa nem da vida. É a verdade dos insanos, porque amar é isso mesmo, uma insanidade de alma que nos conduz sorrindo aos infernos ou ao paraíso, que nos anestesia através de um sorriso, de um olhar ou do perfume de uma lembrança, enquanto nos vai rasgando com suas garras como o condor faz com suas presas.


Há nele uma música de encantamento, como uma flauta hameliana a nos fazer bailar na alegria ou na tragédia, que faz a gente ser capaz de chorar ao dar vida à vida ou permanecer sorrindo ao dançar com a morte, como se a realidade fosse um palco imenso e a vida apenas a platéia que ali estivesse para aplaudir seu diretor, o amor, e seus atores, nós, diante do mortal e derradeiro ato.


Há no amor esses insondáveis mistérios e escolhas. Nada nos mergulha em dor mais profunda, nada nos imerge em êxtases mais fantásticos. Enquanto amantes somos capazes dos atos mais nobres e engrandecedores, assim como as mais agudas covardias e baixezas. Ele nos eleva até onde jamais conseguiríamos chegar sem ele, mas nos humilha de forma tão profunda que, em muitas das vezes, não conseguimos mais nos levantar. Há nele essa sordidez da posse pela posse. Há nele o altruísmo só encontrado na mulher, quando mãe. Não o escolhemos, não o convidamos. Não lhes damos ordens nem o expurgamos. Somos apenas, os eleitos. Eleitos e, dele, escravos!


Essa dualidade fantástica que nele existe, que nos eleva para o deleite da vida mas que nos pode fazer beber na lama do chão, é que o torna primo entre os sentimentos. Com ele alçamos nossos vôos mais altos, com ele, da mesma forma, rastejamos nosso orgulho pelo chão.


No entanto, não há nessa terra ser humano que possa, sem um dia o ter abrigado na alma, dizer no instante final em que for se despedir da vida:


-“Sorriam todos! Afinal, vivi!”

domingo, fevereiro 08, 2009

RESPOSTA A UM CONVITE...


RESPOSTA A UM CONVITE...



Agradeço seu convite, minha irmã de alma.


Mas devo confessar que olhar para meu interior, não por instantes que sejam, mas por tempos, tempos que nem consigo saber por ter esquecido, é prática minha, prática antiga de minha alma, nesses momentos da vida, que se diluem no tempo, que se confundem no eu, nessas esquinas da vida que se tornam espelho de nossa própria caminhada.


E nessas paradas, não percebi a bondade e nem mesmo a maldade que se degladiam em nosso interior. Creio que nunca me vi tão mau que não possa ser amado pela Vida, nem tão bom que dela não possa fazer parte.


Quanto ao vivido, aquele trailer que vez ou outra a lembrança nos apresenta, não quero esquecer as coisas todas, boas ou ruins, que fiz ou vivi, já que, para mim, amo cada uma delas que forjaram o que hoje sou. E, gosto do que sou; gosto de quem sou. E essas lembranças de dor ou de amor, forjam aquilo que chamo de meu eu. E sendo assim, respiro fundo nesse mergulho no oceano da vida, sem me preocupar com as pedras que ficaram para traz, pois tenho as lembranças como irmãs que plenam de amor a minha alma, não de arrependimentos.


Quanto aos véus, amo-os todos!


Rasgados, apenas mostram que encobriam ilusões e a vida é fantástica, sua realidade é mais que qualquer ilusão, e, em razão disso, sei que das ilusões não preciso para ver feliz. Muito ao contrário! Elas escondem o que de belo existe na ação de viver, que é simplesmente: viver!


Quanto a olhar para frente, devo dizer que sempre amei minhas desilusões tanto quanto minhas realidades.

Afinal, o que mais são nossa desilusões que cortinas rasgadas que mostram a realidade da vida de frente, da forma que ela é, sem fantasias, e a vida é para mim o maior dos sonhos.

Amo a vida. Amo viver. Sabia?


E sendo assim, minha amiga, como não ser feliz? Como não festejar cada amanhecer e cada por do sol? Como não reconhecer os ensinamentos de cada dia, de cada momento vivido? Como não estar amparado pela paz e pela fé?


Por essa razão, não tenho como não semear a esperança, a paz e a fé.


Sou filho de um momento de amor. Sou amor e o amor não morre. Essa é a semente que espalho por onde passo.

Ou pelo menos, tento.

Quanto ao convite, aceito e dele me faço porta-voz.


Que em amor viva a humanidade. Sempre!


Que o Amor seja em nós...


Paulo da Vida Athos

terça-feira, dezembro 30, 2008

PRECE POR 2009...
















PRECE POR 2009...



É poente 2008. Sol que se põe no céu do tempo, de um tempo que deixou marcas profundas na Terra e nos homens, e cicatrizes também.


Marcas e cicatrizes têm semelhanças, mas são diferentes.


As marcas cinzelam a alma que se amolda pela experiência da lágrima ou do sorriso, fazendo o homem se tornar maior e a Terra melhor.


Cicatrizes mutilam, amputam, ceifam sonhos e deixam a Terra mais pobre.


Não por culpa do ano poente, mas sim do homem, tivemos muito mais cicatrizes que marcas e a Vida e a Natureza não nos perdoarão por isso.


As marcas que mais me tocaram de forma indelével, foram quase todas de atos de heroísmo do homem diante do imponderável.


Muitos foram os heróis anônimos, em Santa Catarina.


Esses heróis anônimos é que ainda dão esperança e paciência a Deus.


As cicatrizes também tiveram origem no mesmo homem, anônimo ou não, como aqueles que não nos permitirão esquecer Isabela ou menino João Roberto, ambos vítimas da insanidade humana, a mesma insanidade que é regente na Faixa de Gaza no momento crepuscular em que escrevo, que já ceifou mais de meia centena de vidas e muitas mais ceifará, bem como as quase 50 mil pessoas que foram assassinadas nessa guerra não declarada que também vivemos no Brasil.


Não culpo 2008, não culpo seus orixás regentes por ordem divina de Olorum – para uns Ogum, Yemanjá, Oxossi e Oxum - nem culpo o Deus dos cristãos, nem o dos muçulmanos, nem o dos judeus, assim como não culparei Yemanjá, Xangô e Oxossi, que, dizem alguns, mesmo sem ter o ano de 2009 nascido, serão os regentes do que se avizinha.


Culpo o homem, ainda que criatura de Deus.


O homem é Sua única obra imperfeita; se tal diga for blasfêmia, sou herege e não mudarei uma vírgula.


O homem alterou a Terra, violentando-a.


O homem desafiou a natureza, como um dia desafiou os deuses do Olimpo e Zeus dividiu-o em dois, encarregando Apolo de fechar suas feridas.


Mas não aprendeu aquela lição.


O homem está se separando da Vida, pois o que o une à Vida é o Amor.


Não existe outro caminho que não seja esse para que todos vivamos com felicidade e paz; não existe outro caminho que não seja o amor.


A maioria da humanidade conhece o texto ocidental mais desrespeitado:


Lucas 10

25 Levantou-se um doutor da lei e, para pô-lo à prova, perguntou: Mestre, que devo fazer para possuir a vida eterna?

6 Disse-lhe Jesus: Que está escrito na lei? Como é que lês?

7 Respondeu ele: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu pensamento (Dt 6,5); e a teu próximo como a ti mesmo (Lv 19,18).



O Islam invoca para a paz e a não agressão, dizendo:


“Quem matar uma pessoa, sem que esta tenha cometido homicídio ou semeado a corrupção na terra, será considerado como se tivesse assassinado toda a humanidade; quem a salvar, será reputado como se tivesse salvo toda a humanidade” (5:32).



Lendo David Seidner, aprendi a seguinte passagem sobre a Toráh:


Aconteceu um dia que um não-judeu chegou ao grande rabino Shammai e lhe disse: Faz-me prosélito (convertido ao Judaísmo) sob a condição de que me ensines a Toráh inteira, durante fico parado em um pé só. Esse o empurrou com o bastão que tinha na mão. A seguir veio a Hillel, e este o fez prosélito e lhe disse: O que tu não estimas (que te façam), isso também não faças ao teu próximo. Isso é toda a Torá, e todo o restante não é senão explicação: vai e a aprende!” (Talmude Babilônico, Sabbat 31a).



Em resumo, todos os livros sagrados apontam para um caminho único de salvação: o Amor.


Na contra-mão de tudo, o homem segue seus descaminhos.


Mas existe um pequeno-grande-exército do qual todos devemos fazer parte.


Um exército que prega que devemos amar o nosso Deus, o nosso próximo, a nossa casa, o nosso irmão, o nosso cão, a nossa grama, a árvore que nos dá sombra, o mananciais que aplacam nossa sede, a comida que nos sacia a fome, os que são sacrificados para comermos, os mares que ligam nossos continentes, os nossos continentes, o que neles estão contidos, os seus e as aves que cortam a imensidão do espaço, nada sacrificando sem ser em nome do Amor e da Vida.


Te convoco para dele fazer parte.


Sem arma, para amar com todo o amor.


Por 2009, amem.


Amém.



Paulo da Vida Athos



quinta-feira, outubro 23, 2008

PRESENÇA DA AUSÊNCIA NÃO É AUSÊNCIA DE AMOR


Sim, ando sumido. Mas estejam certos de que não esqueço das pessoas queridas. Estão nas minhas preces e nas manhãs e nas tardes mais bonitas de minha vida.


Não tenho os dias ligeiros. Tenho as horas ligeiras. Parece igual, mas é diferente. Não corro pelo tempo mas o Tempo corre em mim.


Não dá para entender, não tentem.


Sou dessas pressas que podem parar para observar as tardes de primavera passarem (não sei se repararam, mas são mais azuis os seus céus), e me encontro nessas horas perdidas em contemplação, como que a querer reter na memória as cores e perfumes que chegam a mim, ou que imagino que chegam.


Não tenho falado muito com essas pessoas queridas por meu coração. Não tanto quanto deveria, e muito menos que meu querer.


As vezes me assusto com o fato de perceber que não disse os tantos ‘eu te amo’ que existem em meu querer, aos amores que vivem ao meu redor, a mim mesmo e à Vida.


Passado o susto, logo esqueço e dado por esquecido fica emudecido tantos ‘eu te amo’ que temo pagar por isso.


Sou um bem-aventurado.


Desses que a Vida escolheu para amar, para colocar a mesa farta, os amigos pródigos e os amores plenos.


A mulher que a Vida escolheu entre tantas e maravilhosas mulheres que colocou em meus caminhos, é bela, bela e única, forte e doce, brisa e rocha, cinzelada em valores humanos e morais ímpares; colocou o fruto bendito para meu deleite e proteção.


Com ela, uma legião de anjos veio junto. E, me adotaram em amor.


Meus filhos – que aprendi com Gibran serem da Vida – são tão fundamentais em minha vida que perder qualquer deles seria fatalmente perder minha vida ou a vontade de permanecer com ela.


Claro que sempre existe uma sombra. Dizem que nada é humanamente perfeito, portanto não sou exceção.


Mas vai passar. Creio naquele que a tudo criou. Creio na Verdade e, crendo nela, sei que ficarei livre um dia dessas sombras: está escrito.


Enquanto isso não se dá, longos serão meus períodos de ausência, com relação aos quais desculpo-me antecipadamente. Ou seja, há aqui um pleito de crédito de desculpas futuras por ausências que virão.


Mas saibam, ou pelo menos se souberem não esqueçam: a presença da ausência não é e jamais será ausência de amor.


Com meu carinho, um beijo e minha saudade de cada um, e de todos.


Paulo da Vida Athos.

domingo, agosto 10, 2008

NÃO SOU HERÓI






NÃO SOU HERÓI



Não quero ser herói. Heróis não choram, não sentem dor.

Heróis não deitam com a angústia, não brigam com a insônia, contando o tempo, os segundos, a toda hora com o coração acelerado ao ouvir uma porta que bate ao longe, o barulho da freada brusca de um carro, ou de uma sirene que corta com seu lamento o silêncio da madrugada, enquanto espera o último filho chegar em casa.

Heróis não se assustam com o telefone que toca no meio da noite madura que se debruça na madrugada chegante, e pulam da cama como o mais imaturo adolescente, sentindo a boca seca, o coração disparar, o corpo tremer, num desassossego de alma impossível de descrever, até que ouve do outro lado uma voz amada dizer:

“- Fica frio, pai, tô numa boa com a galera. Não esquenta que daqui há pouco tô chegando.”

Heróis não ficam ali, babacamente tentando decifrar quem compõe a “galera”, como será essa “boa”, se o lugar é seguro, se existem feras nas sombras, se seu filho está entre lobos com pele de cordeiro, se existe perigo no ar.

Heróis não se preocupam com o futuro, são imortais. Não são como nós que apreensivos muitas vezes perdemos o rumo das palavras, e não conseguimos, debalde as tentativas, mostrar aos nossos filhos a importância de aproveitar o tempo, as oportunidades de poderem estudar sem precisar trabalhar, para acumularem o único tesouro que ninguém pode deles arrebatar, que é o saber.

Heróis não morrem a cada vez que a dúvida os assalta: onde estará meu filho?, com quem minha filha saiu e o que está fazendo?, está com pessoas de bem?, será que sabe perceber o canalha que muitas vezes se esconde em um sorriso cativante?

Heróis não temem os monstros que são essas dúvidas que sitiam nossos dias e roubam nossa paz. Às favas os medos dos amanhãs! Para eles basta fazer como o Super-Homem e girar velozmente até o tempo retroceder para consertarem qualquer estrago. Taí um poderzinho que cairia muito bem em minha vida... qualquer coisa era só um zuuummm!, e pluft!, o tempo retornava ao passado e eu presenteava o futuro com um presente sem estragos. Uma boa, não? Dava até para fazer novamente aquelas provas em que tiveram nota abaixo de sofrível. Mas aí estaria deixando de ser esse herói hipotético para ser um patético vilão e minha ação uma fraude. Não vale.

Não quero ser herói porquê não sou herói e, por não ser herói, não quero ser visto como herói.

Quero que meus filhos saibam que sou apenas uma pessoa comum, frágil como um papel de arroz, ainda que em algumas situações me comporte como a grama ou como o bambuzal ao vento: vergo mas não quebro. Ou quebro por dentro e vou juntando os cacos, num ritual de amor. Sim, muitas vezes é tudo que podemos fazer: juntar cacos de sonhos e de vida e tentar salvar alguma coisa que nos devolva a esperança.

Quantas vezes a vida nos coloca diante de situações que julgávamos não poder suportar e, sabe-se lá de onde, a gente reúne forças e conseguimos nos levantar antes de encerrar a contagem final para continuar a luta, muitas vezes apenas para continuar no corner, apenas apanhando, apenas para ganhar tempo enquanto não encontramos a solução ou a resposta?

Herói não passa por isso, não beija a lona, não vai a nocaute, não junta cacos em ritual de amor, não se sente derrotado em cada derrota de um filho, não sente o gosto do sal que nos sabe em cada lágrima que derramam, sejam elas de desamor ou de dor de amar, da inabilidade de se fazer amar, inerente da imaturidade e do esplendor da juventude, até nisso choramos com e por eles, pois muitas vezes tudo que nos é permitido pela Vida se resume a isso: chorar com eles.

Herói não passa por isso. Aliás, que me lembre não conheço nenhum super-herói que tenha filhos...

Sei que sei amar e luto como leão se preciso for por meus filhos e quando não posso lutar, quando é impossível lutar, faço o que é possível, e se o possível for apenas chorar choro junto com eles.

Afinal, sou simplesmente pai.


Paulo David
Rio, 10 de agosto de 2008.
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Oraçao para Oxumare

Oraçao para Oxumare Que Oxumaré nos cubra com sua bênção Traz para nós, Oxumaré, saúde para o corpo, paz para o coração, clareza para o pens...